Ao novo Governo do Estado do Espírito Santo, deixo uma reflexão fundamentada nos princípios da administração pública, da responsabilidade fiscal e da gestão baseada em evidências: governar exige diálogo, competência técnica, planejamento estratégico e compromisso com os interesses da população capixaba.
As gestões anteriores devem ser analisadas com imparcialidade, identificando os avanços que merecem continuidade e os problemas que precisam ser corrigidos. O objetivo não deve ser promover governos ou desqualificar seus antecessores, mas aprender com os resultados concretos da administração pública.
Na área fiscal, o Espírito Santo construiu uma trajetória relevante de equilíbrio das contas públicas e capacidade de investimento. Essa conquista deve ser preservada, com transparência orçamentária, planejamento de longo prazo e avaliação dos gastos.
Entretanto, equilíbrio fiscal não é um fim em si mesmo: precisa se traduzir em serviços públicos de qualidade e benefícios concretos para a sociedade.
Para a Educação, é necessário avançar na aprendizagem, na valorização dos profissionais, na formação pedagógica e cumprir as metas educacionais. A próxima gestão deve estabelecer objetivos mensuráveis, monitorar indicadores e dialogar com professores, estudantes, famílias e especialistas.
Na Segurança Pública, políticas eficazes não podem se limitar a respostas imediatistas ou ações de impacto midiático. É indispensável utilizar dados criminais, inteligência, análise territorial, prevenção da violência e avaliação dos resultados.
Também é necessário aprimorar o monitoramento dos indicadores e a execução orçamentária das políticas de proteção às mulheres, conforme alertas apresentados pelos órgãos de controle.
Quanto à Saúde, a prioridade deve ser a dignidade humana, o acesso oportuno aos serviços, a redução das filas, a prevenção de doenças e a qualidade do atendimento. As dificuldades de acesso a exames e tratamentos oncológicos demonstram a importância de estabelecer metas, acompanhar os tempos de espera e integrar os serviços da rede estadual. A gestão deve priorizar resultados assistenciais, e não o personalismo ou o exibicionismo político.
A escolha dos secretários das pastas deve considerar competência técnica, experiência administrativa, capacidade de liderança, integridade e compromisso com a população. Os cargos estratégicos precisam ser ocupados por profissionais capazes de transformar recursos públicos em políticas efetivas.
O diálogo não representa fraqueza política, mas um instrumento de inteligência administrativa e democrática. Ouvir servidores, especialistas, gestores municipais, instituições de controle e representantes da sociedade permite identificar falhas, antecipar riscos e construir soluções mais sustentáveis.
Preserve os avanços comprovados, corrija as deficiências identificadas e não repita erros por conveniência política. A fiscalização, a transparência e a prestação de contas devem ser entendidas como obrigações institucionais, com responsabilização nos termos da lei quando houver irregularidades.
O Espírito Santo precisa de continuidade no que funciona, mudança no que falha e diálogo para construir o que ainda falta. Governar com responsabilidade é transformar planejamento, conhecimento científico e recursos públicos em melhores condições de vida para todos os capixabas.