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É vice-governador do Espírito Santo

Empreendedorismo e prosperidade: ambiente molda oportunidades

Empreendimentos mais produtivos significam maior renda, empregos de melhor qualidade e uma economia mais dinâmica. Em síntese, significam mais prosperidade

  • Ricardo Ferraço É vice-governador do Espírito Santo
Publicado em 21/03/2026 às 05h00

A prosperidade individual não surge por acaso. Ela resulta da combinação entre capacidades pessoais e o ambiente econômico e institucional em que cada pessoa vive. Por isso, uma pergunta tem ganhado cada vez mais importância no debate público: quais fatores ampliam de fato as oportunidades de prosperidade?

Parte da resposta está nas condições individuais. O capital humano, que inclui educação, formação profissional e habilidades pessoais, influencia diretamente as trajetórias econômicas. O capital social, formado pelas redes de relacionamento, pelas relações familiares e pela participação na comunidade, também desempenha papel relevante. A esses fatores somam-se valores culturais e condições de saúde, que afetam a capacidade de cada pessoa desenvolver plenamente seu potencial.

No entanto, características individuais não explicam tudo. O ambiente institucional e econômico exerce influência decisiva. Sociedades mais estáveis e organizadas tendem a oferecer mais oportunidades de mobilidade econômica. Da mesma forma, a geografia econômica de cada lugar faz diferença. Infraestrutura adequada, cidades mais competitivas, mercados dinâmicos e a presença de empresas produtivas ampliam as possibilidades concretas de prosperidade.

Nesse contexto, a inserção produtiva em mercados dinâmicos torna-se fundamental. Bons empregos e oportunidades para empreender são os canais por meio dos quais talento e esforço se transformam em renda e progresso material.

Diversas pesquisas mostram que trabalhadores igualmente talentosos produzem mais quando estão inseridos em sistemas produtivos mais eficientes. Por isso, atrair investimentos produtivos é uma das linhas estruturantes da atuação do Governo do Estado. O anúncio recente da Great Wall Motors (GWM) ilustra bem esse movimento. Ainda assim, compreender o papel dos pequenos negócios é igualmente essencial.

A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor de 2024 reforça a força do empreendedorismo no Brasil. O país possui a segunda maior população absoluta de empreendedores potenciais do mundo, atrás apenas da Índia. Cerca de 49,8% da população entre 18 e 64 anos ainda não empreende, mas afirma ter interesse em fazê-lo nos próximos três anos. Ter o próprio negócio aparece entre os principais sonhos dos brasileiros, atrás apenas de comprar a casa própria e viajar pelo país.

Esse potencial se reflete na própria estrutura da economia. Os pequenos negócios correspondem a cerca de 99% das empresas formais ativas no Brasil. Segundo dados do DataSebrae, são aproximadamente 12,9 milhões de microempreendedores individuais (MEI), microempresas são 9,7 milhões e 1,8 milhão de empresas de pequeno porte. No Espírito Santo são 321 mil MEIs, 197 mil microempresas e 31 mil empresas de pequeno porte, além de mais de 100 mil pequenos produtores rurais.

O impacto desses empreendimentos na economia é expressivo. Os pequenos negócios respondem por cerca de metade dos empregos formais do país. Se considerarmos também os empregos informais e os trabalhadores por conta própria, é possível estimar que aproximadamente dois terços da população economicamente ativa dependem diretamente da economia dos pequenos empreendimentos.

Em termos de geração de riqueza ocorre fenômeno semelhante. Micro e pequenas empresas e microempreendedores individuais respondem por cerca de 30% do Produto Interno Bruto. Quando se incorpora a participação da informalidade, esse percentual pode superar 50%.

Diante desse quadro, uma conclusão é inevitável. A prosperidade passa necessariamente pelo fortalecimento e pelo aumento da produtividade dos pequenos negócios.

Projeto conta com oficina de corte e costura, educação menstrual e empreendedorismo
Empreendedorismo. Crédito: Pexels

O Espírito Santo possui um dos ambientes institucionais mais estruturados do país para apoiar esses empreendimentos. Além da atuação da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo do Estado (Aderes) e do Sebrae/ES, existem diversas iniciativas voltadas à simplificação, à desburocratização e ao estímulo ao empreendedorismo. O Governo do Estado atua em diferentes frentes, como crédito, inovação, inclusão produtiva e educação empreendedora.

A questão central, portanto, é estratégica. O Espírito Santo mudou muito para melhor nos últimos anos e segue avançando. Estruturar uma agenda estadual voltada ao aumento da produtividade dos pequenos negócios é um passo fundamental nessa trajetória.

Empreendimentos mais produtivos significam maior renda, empregos de melhor qualidade e uma economia mais dinâmica. Em síntese, significam mais prosperidade. Fortalecer o empreendedorismo é, em última análise, ampliar as oportunidades de prosperidade para toda a sociedade.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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