O Espírito Santo se encontra há décadas no centro do comércio internacional. Por seus portos passam anualmente bilhões de dólares em produtos importados e exportados, muitos dos quais transitando por diferentes estados da federação.
Será, todavia, que o Estado conta com infraestrutura rodoviária compatível com sua relevância econômica?
A pesquisa CNT de Rodovias 2022 aponta que não. De um modo geral, 66,9% da malha rodoviária no Espírito Santo apresenta algum tipo de problema, sendo considerada regular, ruim ou péssima. Apenas 33,1% da malha capixaba é considerada ótima ou boa.
Os dados, obtidos antes do crítico período de chuvas que nos assolou na virada do ano, apontam que apenas para ações emergenciais, de reparo e reconstrução, seria necessário o investimento de R$ 660 milhões. E, o que é mais grave, foi possível mensurar o dano ambiental gerado pela má qualidade das estradas, exigindo custos adicionais com combustível e manutenção aos transportadores, na ordem de R$ 84,98 milhões.
A título de comparação, o Estado de São Paulo conta com 76,8 % de sua malha rodoviária considerada ótima ou boa, de modo que apenas 23,2 % apresentam algum problema. Uma diferença brutal, especialmente se se considera que naquele Estado foram analisados 10.667 km de rodovias, ao passo que no ES a pesquisa apenas considerou 1.725 km, quase 10 vezes menos.
Existem vários motivos a justificarem tamanha desigualdade, dentre os quais a diferença no PIB, força política e capacidade de atrair investimentos. No entanto, estes dados sozinhos não podem justificar o fato de apenas 1/3 de nossa malha rodoviária se apresentar aceitável.
São Paulo é o Estado mais evoluído na área de concessão de rodovias, permitindo que a qualidade de suas vias seja devidamente assegurada com recursos e manutenção em parâmetros privados. Com maior eficiência e melhor qualidade nas obras realizadas.
Conforme apontou o Relatório da CNT, “historicamente, as rodovias concedidas têm apresentado resultados melhores do que aquelas sob gestão pública”. Acrescentaria: o padrão de qualidade é, pelo menos, duas vezes superior ao público.
Em relação às rodovias concedidas, 69% da extensão foi considerada ótima ou boa, e apenas 5,2 % considerada ruim. Ao passo que, entre as rodovias administradas pelo poder público, 75,3% da extensão, totalizando 65.566 quilômetros avaliados, apresentam algum tipo de problema, sendo classificadas como regular, ruim ou péssimo. A avaliação positiva nas rodovias públicas nacionais totaliza apenas 24,7%, relativamente a 21.529 quilômetros avaliados.
Os dados parecem claros em nos apontar o melhor caminho a seguir. Sim, efetivamente, é necessário melhorar a capacidade de investimento e a qualidade do recurso público investido. Todavia, uma real transformação nas rodovias estaduais dependerá, invariavelmente, do aumento dos trechos concedidos à iniciativa privada, mediante o oferecimento ao investidor privado de um regime de maior segurança jurídica e econômica.