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Henrique Casamata

Artigo de Opinião

É engenheiro
Henrique Casamata

Cobilândia, 75 anos: uma história construída por sua gente

Famílias vindas de diferentes lugares compraram terrenos, ergueram suas casas e construíram suas vidas quando quase tudo ainda estava por fazer
Henrique Casamata
É engenheiro

Publicado em 23 de Setembro de 2026 às 15:59

Publicado em 

23 set 2026 às 15:59

Em setembro de 2026, Cobilândia completa 75 anos. Uma história construída, sobretudo, pela força de sua gente.


Antes das ruas, casas, lojas e escolas, havia terras cortadas pelo Rio Marinho e uma árvore abundante na região: o cobi. Foi ela que inspirou o nome do loteamento que se transformaria em Cobilândia.


O grande marco dessa transformação ocorreu em 1951. A antiga área rural foi loteada, conforme idealizado por Benício Gonçalves Laranja e, em setembro daquele ano, surgia oficialmente Cobilândia, em um período marcado também pela inauguração da Rodovia Carlos Lindenberg, importante vetor de desenvolvimento para toda a região.

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Naqueles primeiros anos, havia grande expectativa de progresso. Cobilândia chegou a ser apresentada como a futura “Manchester Brasileira”, numa referência à cidade inglesa símbolo da industrialização. O futuro, porém, seria escrito de outra maneira — e seus verdadeiros protagonistas seriam os próprios moradores.


Famílias vindas de diferentes lugares compraram terrenos, ergueram suas casas e construíram suas vidas quando quase tudo ainda estava por fazer.


E não foi fácil. Antigos moradores contam que somente na década de 1970 muitas ruas começaram a receber pavimentação. Em diversos casos, a própria comunidade comprava os materiais, enquanto o município fornecia a mão de obra. Foi assim, com esforço coletivo, participação comunitária e sentimento de pertencimento, que Cobilândia cresceu e se consolidou.


O antigo loteamento tornou-se um bairro de comércio forte e localização estratégica em Vila Velha e na Grande Vitória. Mas o crescimento também trouxe problemas que atravessaram décadas. Alagamentos, mobilidade, segurança e deficiências de infraestrutura marcaram sua trajetória. Alguns desses desafios foram superados; outros ainda exigem soluções definitivas.


Nesse contexto, o Rio Marinho ocupa lugar especial. Presente desde as origens da ocupação dessas terras, tornou-se também símbolo de um dos maiores desafios urbanos de Cobilândia. É preciso deixar de enxergá-lo apenas como parte do problema e incorporá-lo às soluções de macrodrenagem, recuperação ambiental, paisagismo e qualificação urbana.

Vista aérea de Cobilândia
Vista aérea de Cobilândia Reprodução/TV Gazeta

Aos 75 anos, Cobilândia deve celebrar seu passado sem deixar de projetar o futuro. Um futuro com drenagem eficiente, melhor mobilidade, acessibilidade, arborização, espaços públicos de qualidade e um Rio Marinho recuperado e verdadeiramente integrado à cidade.


Mas nenhuma ponte, rua ou grande obra será maior do que a história das pessoas que construíram este bairro: moradores, famílias, comerciantes, trabalhadores, professores e lideranças comunitárias que, geração após geração, transformaram um loteamento em uma comunidade.


Completar 75 anos é olhar para trás com respeito e gratidão, reconhecer quem veio antes de nós, valorizar cada conquista e, ao mesmo tempo, assumir a responsabilidade pelo que ainda precisa ser feito.


Porque bairros não são feitos apenas de ruas, casas, pontes e obras. São feitos de pessoas, histórias, memórias e pertencimento.


Parabéns, Cobilândia, pelos seus 75 anos!


Que o futuro seja tão grande quanto a força da gente que construiu — e continua construindo — a sua história.

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