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Renata Melo

Artigo de Opinião

É médica, membro da Sociedade Brasileira de Tricologia e referência em tratamentos clínicos capilares
Renata Melo

Câncer de mama: como cuidar dos cabelos antes, durante e depois da quimioterapia

Embora a prioridade seja, naturalmente, o tratamento do câncer, isso não significa que a saúde capilar precisa ser deixada de lado
Renata Melo
É médica, membro da Sociedade Brasileira de Tricologia e referência em tratamentos clínicos capilares

Publicado em 09 de Outubro de 2026 às 10:00

Publicado em 

09 out 2026 às 10:00

O acompanhamento capilar pode ajudar a preservar a saúde do couro cabeludo e acompanhar a recuperação dos fios após o tratamento oncológico


Quando uma mulher recebe o diagnóstico de câncer de mama, muitas mudanças passam a fazer parte da sua rotina. Entre elas, a queda dos cabelos provocada por alguns tratamentos oncológicos costuma estar entre as experiências que mais afetam a autoestima e a percepção da própria imagem.


Embora a prioridade seja, naturalmente, o tratamento do câncer, isso não significa que a saúde capilar precisa ser deixada de lado. O acompanhamento dos cabelos e do couro cabeludo pode fazer parte dessa jornada, desde que respeite o momento clínico da paciente e esteja alinhado à equipe responsável pelo tratamento oncológico.

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Na minha prática, costumo reforçar que não existe uma única resposta para todas as mulheres. Cada paciente apresenta uma condição clínica, um tipo de tratamento e uma resposta dos fios. Por isso, o cuidado capilar precisa ser individualizado.

Antes e durante a quimioterapia

Durante o tratamento, a atenção deve estar principalmente na preservação da saúde do couro cabeludo e na prevenção de irritações e lesões. Ressecamento, sensibilidade e descamação podem aparecer e precisam ser observados.


Também é importante evitar procedimentos agressivos, químicas e intervenções que possam sensibilizar ainda mais a região.


Algumas estratégias podem ser utilizadas para tentar reduzir a queda dos fios durante determinados protocolos de quimioterapia. Entre elas está a crioterapia do couro cabeludo, realizada com toucas ou sistemas de resfriamento capilar. O frio provoca vasoconstrição e pode reduzir a exposição dos folículos aos medicamentos quimioterápicos. A indicação, porém, depende do tipo de câncer, do protocolo utilizado e da avaliação da equipe oncológica.


Nesse período, também é fundamental não iniciar medicamentos ou suplementos para crescimento capilar por conta própria. Substâncias como minoxidil, por exemplo, precisam ser avaliadas individualmente e não devem ser utilizadas durante o tratamento ativo sem orientação médica.

O cabelo que volta nem sempre é o mesmo

Depois do término da quimioterapia, começa uma nova etapa. Muitas mulheres esperam simplesmente que os cabelos voltem a crescer como eram antes, mas isso nem sempre acontece imediatamente.


É possível que os fios retornem inicialmente mais finos, ásperos, ou com uma textura diferente do normal para a paciente antes do tratamento. Também pode haver mudanças temporárias ou persistentes no padrão de crescimento. Por isso, essa fase também merece acompanhamento.

Perda de cabelo durante a quimioterapia
Perda de cabelo durante a quimioterapia Pixabay

Nesse momento uma avaliação clínica pode identificar como os fios e o couro cabeludo estão respondendo e se existe alguma alteração que precise ser investigada. A partir dessa análise, podemos discutir estratégias destinadas a melhorar as condições do couro cabeludo e favorecer o crescimento e o fortalecimento dos fios.


Alguns casos podem demandar tratamentos clínicos específicos. A escolha leva em conta fatores como o histórico da paciente, os medicamentos utilizados durante o tratamento, o tempo desde a quimioterapia e o estado atual dos cabelos e do couro cabeludo.


Entretanto, é importante pontuar que o que funciona para uma queda de cabelo comum não nem sempre é adequado para quem está passando por um tratamento oncológico ou se recuperando dele.


Por isso, não recomendo iniciar medicamentos, suplementos ou procedimentos capilares sem avaliação. Em determinadas situações, também é necessário conversar diretamente com o oncologista antes de realizar uma intervenção.


A segurança deve sempre vir antes da expectativa de um resultado rápido, além do  respeito ao tempo biológico dos fios.


O mais importante é que cada mulher tenha acompanhamento adequado e saiba que não precisa enfrentar essas transformações sozinha. Antes, durante e depois da quimioterapia, existem formas de cuidar dos cabelos,  mas cada uma delas precisa respeitar o momento clínico e as necessidades individuais da paciente.

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