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Alberto Carlos Almeida

Artigo de Opinião

Brasília

Bolsonaro abriu caminho para fazer política ao se livrar de Moro

Deputados e senadores não gostam de Bolsonaro, porém detestam Moro. Com saída do ministro, relações do presidente com o Centrão podem ser melhores a partir de agora
Alberto Carlos Almeida

Publicado em 25 de Abril de 2020 às 10:00

Publicado em 

25 abr 2020 às 10:00
Rompimento entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro
Rompimento entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro Crédito: A Gazeta
A saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça é boa para o governo Bolsonaro. O país passa por uma profunda crise de saúde pública e econômica. Jair Bolsonaro decidiu nadar em uma raia própria na sua visão de combate à pandemia. Enquanto todos os políticos seguiram as determinações da ciência, do SUS e da OMS, Bolsonaro fez justo o oposto.
Ele é o único político do Brasil que conferiu prioridade à economia em detrimento de salvar vidas. Essa decisão enfraqueceu enormemente seu governo junto a importantes segmentos do eleitorado, que inclusive tinham votado nele em 2018. Resultado: Bolsonaro passou a precisar de um apoio político que foi capaz de dispensar durante o ano de 2019.
Esse apoio veio dos partidos que formam o Centrão. Uma informação importante de Brasília é que, de um modo geral, deputados e senadores não gostam de Bolsonaro, porém detestam e odeiam Sergio Moro. Assim, a saída de Moro é aprovada pela grande maioria dos políticos. Para eles, Bolsonaro se livrou não apenas do maior símbolo da antipolítica, mas principalmente de alguém nada confiável, que se utilizou dos procedimentos inquisitoriais de nossa justiça para atingir a todo o sistema.
É possível que a saída de Moro resulte em redução de alguns pontos percentuais da aprovação de Bolsonaro. A ver. O fato é que quem tem o voto é Bolsonaro, não é Sergio Moro. Foi em Bolsonaro que 57 milhões de pessoas depositaram suas esperanças, ele é que foi ouvido na campanha e no governo, ele é quem é seguido, amado e odiado.
Moro nada mais era do que um auxiliar de Bolsonaro. A partir de agora, inclusive, ele perde toda a mídia que vinha tendo, tanto a mídia como a importância de quem comandava uma área inteira do governo. Em breve, no máximo em seis meses, teremos a noção do tamanho de Sergio Moro sem mídia. Quanto a Bolsonaro, ele permanecerá utilizando continuamente o poder midiático natural de uma presidência da República.
Bolsonaro abriu caminho para fazer política ao se livrar de Sergio Moro. Não apenas as suas relações com o Centrão podem ser melhores a partir de agora, mas com todo o sistema político. Tudo indica que essa inflexão irá se consolidar com a escolha de um novo ministro para a pasta da Justiça que seja indicado pelos políticos. O governo Bolsonaro caminha assim para ficar mais normal e menos radicalizado, mais político e menos beligerante, mais realista e menos idealista.
O autor é cientista político e autor do livro "A Cabeça do Brasileiro”, entre outras obras
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