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Max Filho

Artigo de Opinião

Foi prefeito de Vila Velha por três mandatos, além de deputado federal, estadual e vereador do município. É servidor de carreira do TRT-17 (ES)
Max Filho

"Ainda estou aqui": impossível não me associar à família Paiva

Em documento intitulado “Determinação”, Max Mauro foi levado à sede do 3° Batalhão de Caçadores, hoje 38° Batalhão de Infantaria; no dia 14 de maio de 1969. Claro, tivemos melhor sorte
Max Filho
Foi prefeito de Vila Velha por três mandatos, além de deputado federal, estadual e vereador do município. É servidor de carreira do TRT-17 (ES)

Publicado em 02 de Março de 2025 às 10:00

Publicado em 

02 mar 2025 às 10:00
O clima de Copa do Mundo está se instalando no país, em que pese a imensa distração nacional que é o carnaval; estou falando da torcida pelo filme “Ainda estou aqui”, que concorre ao Oscar em três categorias.
Apesar de inédita tal conquista, estamos muito confiantes.
Assistindo ao filme, impossível não me associar à família Paiva e às centenas de famílias que tiveram um de seus entes desaparecidos. Assim como o ex-deputado Rubens Paiva, o meu saudoso pai, o ex-governador Max Mauro, também foi levado para dar satisfações aos órgãos de repressão da época.
Cena do filme Ainda Estou Aqui, com Fernanda Torres
Cena do filme Ainda Estou Aqui, com Fernanda Torres Crédito: Sony Pictures
Em documento intitulado “Determinação”, ele foi levado à sede do 3º Batalhão de Caçadores, hoje 38º Batalhão de Infantaria; no dia 14 de maio de 1969. Claro, tivemos melhor sorte.
Ao exercer o seu último mandato eletivo, Max Mauro obteve o seu “Habeas Data”, instituto jurídico que obriga o Estado a fornecer as informações daquele cidadão. A resposta chegou pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Tão intensa a vigilância que deu um livro, editado e publicado pelo Centro de Documentação e Informação da Câmara dos Deputados.
Marcelo Rubens Paiva, filho de Eunice e Rubens, conta a história que ganhou as telonas do Brasil. Escritor muito conhecido no país desde que lançou o livro “Feliz Ano Velho” no qual retratou o seu drama pessoal quando ficou paraplégico; lembro-me de ter assistido à peça teatral de mesmo nome, encenada no Teatro Carlos Gomes, tendo à frente do elenco o ator Marcos Frota.
O filme teve o cuidado de não descambar para um revanchismo contra a ditadura militar nem para um melodrama, o que pode ter custado o Oscar à sua personagem principal. A dor costuma embalar os campeões da categoria de melhores atores.
O filme é muito bom, não é à toa que foi listado também nas categorias melhor filme e melhor filme internacional.
Melhor ainda é a atuação de Fernanda Torres, que concorre ao Oscar de melhor atriz. Aliás, sua mãe esteve nessa posição décadas atrás. Filha de peixe.
Se conquistarmos a estatueta, a academia estará lavando a alma dos brasileiros, em tempos de deportação em massa e negacionismo da importância do Brasil para os Estados Unidos. Vai fazer muito bem ao sentimento de brasilidade.
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