No Dia da Advocacia, penso menos sobre a profissão em si e mais sobre aquilo que ela representa na vida de quem a exerce e, principalmente, na vida de quem dela precisa.
Depois de quase 30 anos de atuação, aprendi que a advocacia não se resume a petições, audiências, prazos ou decisões. Tudo isso faz parte do ofício, naturalmente. Mas existe algo maior. Advogar é assumir a responsabilidade de estar ao lado de alguém quando essa pessoa precisa transformar uma injustiça em uma possibilidade de resposta.
E isso exige muito.
Exige técnica, estudo, estratégia e permanente atualização. O Direito não admite improviso. Mas também exige sensibilidade. Porque, antes de existir um processo, existe uma história. Antes de existir uma tese jurídica, existe uma pessoa. Antes de existir um pedido, existe uma necessidade concreta que levou alguém a procurar ajuda.
Ao longo da minha trajetória, atuando nas áreas trabalhista, previdenciária, cível e consumerista, pude perceber que as questões jurídicas quase nunca chegam sozinhas. Elas vêm acompanhadas de medo, insegurança, frustração, esperança e, muitas vezes, da sensação de que alguma coisa precisa ser reparada.
É nesse momento que a advocacia ganha seu verdadeiro sentido.
O advogado não pode prometer resultados, mas pode oferecer presença, conhecimento, defesa e voz. Pode mostrar caminhos onde antes parecia não existir saída. Pode transformar uma situação de vulnerabilidade em exercício de cidadania. Pode fazer com que alguém compreenda que seus direitos existem e que lutar por eles é legítimo.
Talvez seja por isso que, mesmo depois de tantos anos, eu continue apaixonada pela advocacia.
Não pela ideia romântica de uma profissão sem dificuldades, porque ela exige muito de quem a escolhe. Mas pela certeza de que nosso trabalho pode produzir efeitos reais. Uma decisão pode significar o sustento de uma família. Um benefício pode devolver segurança. Uma indenização pode representar reconhecimento. Uma defesa bem realizada pode restabelecer dignidade.
A advocacia nos ensina, diariamente, que Justiça não é uma palavra abstrata. Ela se concretiza quando alcança a vida das pessoas.
Neste Dia da Advocacia, celebro a profissão que escolhi exercer, mas também o propósito que encontrei nela. Continuo acreditando que advogar é muito mais do que conhecer o Direito: é usar esse conhecimento para abrir caminhos, defender histórias e fazer com que a Justiça deixe o papel e alcance quem realmente precisa dela.
E, depois de quase três décadas, essa continua sendo a razão que faz tudo valer a pena.