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Bartira Almeida

Artigo de Opinião

É presidente do Instituto Ponte
Bartira Almeida

A ponte que encurta gerações: o impacto da equidade na educação

A mobilidade social não precisa levar décadas quando há investimento com intenção
Bartira Almeida
É presidente do Instituto Ponte

Publicado em 15 de Setembro de 2026 às 10:00

Publicado em 

15 set 2026 às 10:00

Há quem diga que alcançar a igualdade social no Brasil é um processo que pode demorar gerações e que depende exclusivamente do mérito individual. No entanto, a realidade revela que o obstáculo real é a ausência de pontes, conexões estruturadas e sustentáveis capazes de unir o potencial desses jovens às oportunidades concretas de desenvolvimento educacional e profissional.


A mobilidade social não precisa levar décadas quando há investimento com intenção. Quando se garante equidade a um jovem de alto potencial, oferecendo as condições reais para que ele acesse, permaneça e se desenvolva no ambiente acadêmico, sua trajetória muda de forma mensurável. Isso é o que vejo todos os dias à frente do Instituto Ponte há mais de uma década.


Após formados, os jovens atendidos pela instituição alcançaram uma renda individual, em média, sete vezes maior do que a renda média dos seus pais ao ingressarem no Instituto. 

Instituto Ponte
Instituto Ponte Divulgação

Além disso, 94% dos alunos graduados já estão inseridos no mercado de trabalho, prova de que o diploma se converte em oportunidade real, não apenas em expectativa.


Em setembro, o Instituto Ponte completa 12 anos dedicados a ampliar oportunidades educacionais para jovens de baixa renda. Desde que nasceu, em 2014, 718 alunos já foram atendidos e, atualmente, 166 estão cursando o ensino superior. 


Essa trajetória se sustenta em uma rede que já mobilizou 778 parceiros e 596 voluntários, unidos pela convicção de que a origem de um jovem não deve limitar o seu futuro.


Um dos principais mecanismos da nossa atuação é o Pro Bono Escolar, por meio do qual instituições privadas de ensino concedem bolsas de estudo para jovens selecionados. Ao longo desses 12 anos, 132 instituições de ensino parceiras ajudaram a viabilizar 963 bolsas: 427 para o ensino fundamental e médio, 436 para cursos de inglês e 100 para cursos pré-vestibulares.


Juntas, essas bolsas representam um valor estimado de R$ 53 milhões. Essa dinâmica articula duas pontas: a instituição disponibiliza a vaga, e o Instituto Ponte identifica o estudante com potencial acadêmico que não teria condições financeiras de acessar aquela formação.



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Além das bolsas, nosso trabalho contempla o acompanhamento pedagógico e psicológico dos alunos, incluindo suporte com aulas no contraturno, material didático, uniforme, alimentação e vale-transporte.


Nosso compromisso não termina no acesso: ele inclui as condições necessárias para que cada aluno permaneça, avance e conclua sua trajetória. Hoje, 81% dos jovens selecionados permanecem no Instituto, um indicador que reflete a consistência desse acompanhamento.


Esse impacto vai além da transformação individual. Ao criar condições para que jovens talentosos ampliem sua formação e alcancem oportunidades profissionais compatíveis com suas capacidades, o Instituto Ponte contribui para desenvolver um dos maiores ativos do Brasil: o talento de suas pessoas. 


São profissionais preparados, diversos e comprometidos, capazes de gerar valor para as empresas, fortalecer a economia e abrir novas perspectivas para suas famílias e comunidades. Quando um potencial que poderia permanecer limitado pelas desigualdades de origem encontra espaço para se desenvolver, ganham o jovem, as organizações e o país.


A solidez desses indicadores demonstra que a redução da desigualdade social passa, necessariamente, pelo engajamento conjunto entre o setor privado e a sociedade civil. Essa união sustenta o crescimento econômico do país no longo prazo, mas garante, antes disso, um direito humano: a educação de qualidade para todos. 


O desafio agora é continuar ampliando e fortalecendo pontes como essas, para que mais jovens tenham a mesma chance e para que o Brasil não desperdice talentos que podem ajudar a construir o seu futuro.




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