A inteligência artificial já transformou a forma como trabalhamos, produzimos e tomamos decisões. Ao ampliar nossa capacidade de analisar informações, automatizar processos, identificar oportunidades e apoiar escolhas cada vez mais complexas, ela nos permite
dedicar mais tempo às questões estratégicas nas empresas. Essa é, sem dúvida, uma transformação que veio para ficar e que precisamos aproveitar ao máximo.
Mas, junto com o novo, nascem desafios. Quanto mais a tecnologia avança, mais evidente fica uma diferença fundamental: gestão e liderança não são a mesma coisa. Gestão envolve processos, organização, planejamento, indicadores e decisões que fazem parte da operação
cotidiana de uma empresa.
É nesse campo que a inteligência artificial pode ser uma grande aliada, ajudando a aumentar a produtividade, reduzir tarefas repetitivas e liberar tempo para atividades de maior valor estratégico.
Liderar, porém, exige algo mais. A liderança se constrói nas relações interpessoais. Ela se baseia em confiança, respeito, escuta ativa, empatia e capacidade de compreender o outro. Ou seja, é essencialmente humana.
Um líder consegue perceber aquilo que um indicador não mostra, conduzir pessoas em momentos de incerteza e dificuldade, reconhecer talentos, administrar conflitos e criar um ambiente em que cada profissional entenda seu papel e se sinta parte de um propósito.
A inteligência artificial pode organizar informações sobre uma equipe, apoiar uma análise ou oferecer caminhos para que uma decisão seja tomada com mais agilidade. Mas ela não substitui a responsabilidade de quem decide nem a relação humana entre quem lidera e quem é liderado. Emoções, vínculos e confiança não são processos e, por isso, não podem ser automatizados.
Esse é um ponto importante para as empresas que estão incorporando novas tecnologias e uma discussão que também fazemos internamente. O desafio é entender onde a tecnologia potencializa nossas capacidades e onde o elemento humano permanece insubstituível.
Preparar a indústria para o futuro passa justamente por essas duas dimensões. Por isso, na Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), temos colocado a inovação e a inteligência artificial no centro das discussões sobre competitividade e futuro da indústria, ao mesmo tempo em que atuamos na formação e no desenvolvimento das pessoas que conduzirão essa transformação.
Esse movimento começou dentro de casa. Há um ano, disponibilizamos aos nossos colaboradores a Sofi, uma assistente digital que oferece um ambiente prático para o uso da inteligência artificial, com segurança, ética e conformidade com a Política de Segurança da Informação e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Para as nossas indústrias, trabalhamos para aproximar conhecimento, inovação, qualificação e desenvolvimento de lideranças das necessidades reais das empresas. Por meio do IEL-ES realizamos o Fórum IEL de Gestão, que teve como tema para este ano "Liderar na era da IA". É por meio do IEL também que qualificamos gestores para incorporar novas tecnologias às empresas e, ao mesmo tempo, desenvolver pessoas capazes de utilizá-las com visão estratégica, responsabilidade e propósito.
O Sesi Saúde e Segurança também avança na transformação digital com o desenvolvimento da ISA, assistente virtual hiper-realista que foi criada em parceria com a Amazon Web Services (AWS). Ela esclarece dúvidas e orienta usuários na área de saúde e segurança do trabalho com agilidade e precisão. A nossa expectativa é que o projeto atenda 900 empresas até o fim de 2026.
Já pelo Senai ES, capacitamos profissionais para as novas habilidades necessárias em um ambiente cada vez mais tecnológico. Também vamos oferecer às indústrias soluções em inteligência artificial com alta capacidade de processamento por meio da nossa Torre IA Sesi Senai. Com ela, será possível acompanhar operações em tempo real a partir do Findeslab, apoiar a tomada de decisões e ampliar a eficiência operacional das indústrias.
A inteligência artificial traz inúmeras oportunidades e também uma certeza: precisamos de líderes preparados para compreender suas possibilidades, questionar seus resultados, tomar decisões e conduzir equipes em um ambiente de transformação cada vez mais acelerada.
A IA continuará avançando e assumirá funções que hoje fazem parte da rotina de profissionais e gestores. Isso não diminui a importância das pessoas. Muito pelo contrário. Aumentará o valor de competências que nenhuma máquina ou processador conseguirá reproduzir integralmente como assumir responsabilidades, conquistar a confiança de outros e ter capacidade de mobilizar pessoas.
O futuro das empresas será cada vez mais tecnológico, mas continuará sendo construído por pessoas. A inteligência pode ser artificial, entretanto, a capacidade de liderar, transformar e inspirar continuará sendo sempre humana.