Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Artigos
  • A Constituição e a promessa de igualdade que o Brasil ainda precisa cumprir
Rivelino Amaral

Artigo de Opinião

É advogado criminalista há 27 anos, é professor de Direito Penal e diretor de Prerrogativas da OAB-ES
Rivelino Amaral

A Constituição e a promessa de igualdade que o Brasil ainda precisa cumprir

Ao longo de sua história, o Brasil teve sete Constituições: 1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988. Cada uma refletiu o momento político do país. Nenhuma, porém, foi tão abrangente na proteção dos direitos fundamentais quanto a atual
Rivelino Amaral
É advogado criminalista há 27 anos, é professor de Direito Penal e diretor de Prerrogativas da OAB-ES

Publicado em 05 de Outubro de 2026 às 20:59

Publicado em 

05 out 2026 às 20:59
Em 5 de outubro, o Brasil celebra 38 anos da promulgação da Constituição Federal de 1988. Não se trata apenas de uma data jurídica. Trata-se de um dos marcos mais importantes da história democrática brasileira.

A chamada Constituição Cidadã nasceu depois de um período sombrio da nossa história. Durante mais de duas décadas, o país viveu sob um regime militar marcado por restrições à liberdade, perseguições políticas, prisões, censura e mortes. 

A redemocratização significou, portanto, muito mais do que a mudança de um sistema político. Representou a devolução ao cidadão de direitos que jamais poderiam ter sido retirados.

Veja Também 

Imagem BBC Brasil

De 'guardião' da Constituição de 1988 ao centro da política: como o STF ficou tão poderoso

Imagem de destaque

Quem decide se você trabalha aos domingos: Constituição, lei ou sindicato?

Imagem de destaque

A Lei do Impeachment e a sociedade aberta aos intérpretes da Constituição

É preciso fazer um registro histórico: a Constituição de 1988 não foi a primeira Constituição brasileira surgida em um ambiente democrático. A Carta de 1946 também nasceu de um processo de redemocratização. Mas a Constituição de 1988, conduzida pela Assembleia Nacional Constituinte e simbolizada pela figura inesquecível de Ulysses Guimarães, tornou-se o grande marco da retomada democrática após o regime militar.

Ao longo de sua história, o Brasil teve sete Constituições: 1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988. Cada uma refletiu o momento político do país. Nenhuma, porém, foi tão abrangente na proteção dos direitos fundamentais quanto a atual.

A Constituição de 1988 assegurou liberdade de expressão, liberdade religiosa, direito de reunião, participação política, voto direto e uma extensa proteção aos direitos individuais, coletivos e sociais.

Mas, entre todos os seus dispositivos, há uma afirmação que, a meu sentir, sintetiza a essência da própria democracia:
"Todos são iguais perante a lei"
É com essas palavras que se inicia o artigo 5º da Constituição Federal.

Pode parecer uma frase simples, mas ela carrega um dos maiores compromissos de uma sociedade democrática: ninguém pode estar acima da lei e ninguém pode estar abaixo da proteção da lei.

Passados 38 anos, entretanto, a Constituição também nos impõe uma reflexão. O Brasil avançou muito, mas ainda está longe de transformar plenamente a igualdade formal em igualdade real. As diferenças sociais continuam profundas. Milhões de brasileiros ainda encontram enormes obstáculos para acessar educação de qualidade, saúde, emprego, renda e oportunidades de ascensão social.

Celebrar a Constituição Cidadã, portanto, não significa afirmar que a obra está concluída.
A Constituição Federal em vigor foi promulgada em 1988 (Imagem: Appreciate | Shutterstock)
A Constituição Federal em vigor foi promulgada em 1988 Imagem: Appreciate | Shutterstock
Significa reconhecer o caminho percorrido e, ao mesmo tempo, compreender o tamanho do caminho que ainda falta percorrer.

A democracia precisa ser defendida diariamente. Os direitos fundamentais precisam ser protegidos. E a igualdade prevista na Constituição precisa sair cada vez mais do papel para alcançar a vida concreta das pessoas.

Aos 38 anos, a Constituição de 1988 continua sendo muito mais do que um conjunto de normas. Ela permanece sendo uma promessa de liberdade, igualdade e justiça social que o Brasil ainda precisa cumprir integralmente.

Porque uma democracia só será verdadeiramente plena no dia em que “todos são iguais perante a lei” deixar de ser apenas uma frase constitucional e se tornar uma realidade para todos os brasileiros.
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados