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Virgínia Altoé Sessa

Artigo de Opinião

É médica oncologista do Hospital Santa Rita
Virgínia Altoé Sessa

A ciência reforça: exercitar o corpo pode ajudar pacientes com câncer

Acredito que uma das mensagens mais importantes trazidas por estudos como esse seja justamente a quebra da ideia de “tarde demais”
Virgínia Altoé Sessa
É médica oncologista do Hospital Santa Rita

Publicado em 19 de Maio de 2026 às 17:33

Publicado em 

19 mai 2026 às 17:33

A atividade física já é amplamente reconhecida como uma importante aliada na prevenção de diversas doenças, entre elas o câncer. Mas, cada vez mais, a ciência também reforça outro aspecto igualmente relevante: movimentar o corpo pode fazer diferença até mesmo depois do diagnóstico oncológico, influenciando diretamente a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes.


Um estudo publicado recentemente no Jama Network trouxe evidências importantes nesse sentido. A pesquisa analisou dados de mais de 17 mil sobreviventes de diferentes tipos de câncer — incluindo pulmão, reto, ovário, bexiga, rim, endométrio e boca — e identificou um padrão consistente: pacientes fisicamente ativos apresentaram menor risco de morte relacionado à doença.


O dado talvez mais impactante seja outro: mesmo pessoas sedentárias antes do diagnóstico tiveram benefícios importantes ao iniciar uma rotina de exercícios posteriormente. Ou seja, nunca é tarde para começar.

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Essa constatação muda a forma como precisamos enxergar o tratamento oncológico. Durante muito tempo, o foco esteve concentrado exclusivamente em cirurgia, quimioterapia, radioterapia e medicamentos. Tudo isso continua sendo essencial, naturalmente, mas hoje entendemos que o cuidado com o paciente com câncer precisa ser mais amplo, integrando hábitos de vida, saúde emocional, nutrição e atividade física como parte efetiva da estratégia terapêutica.


Ainda existe um imaginário coletivo de que o paciente oncológico deve permanecer em repouso constante, evitando esforços físicos. Em alguns casos, limitações realmente existem e precisam ser respeitadas. 


Porém, na maioria das situações, o sedentarismo prolongado pode trazer impactos negativos importantes: perda de massa muscular, piora do condicionamento cardiorrespiratório, fadiga mais intensa, redução da autonomia e pior qualidade de vida.


A prática de atividade física, quando orientada e adaptada às condições clínicas de cada paciente, pode contribuir para melhora da disposição, controle da fadiga, preservação muscular, saúde cardiovascular, bem-estar emocional e até maior tolerância aos tratamentos. 


Além disso, movimentar o corpo também ajuda o paciente a recuperar algo profundamente afetado durante o câncer: a sensação de autonomia sobre a própria vida.O exercício não substitui o tratamento oncológico, mas ele pode potencializar o cuidado.

Imagem Edicase Brasil
Atividade física Maridav | Shutterstock

Outro ponto importante é que a atividade física ajuda a combater um dos principais inimigos silenciosos da saúde moderna: a inflamação crônica. Hoje sabemos que processos inflamatórios persistentes têm relação não apenas com o surgimento de doenças, mas também com pior evolução clínica em diversos contextos.


Mais do que falar sobre performance ou estética, precisamos falar sobre movimento como ferramenta de saúde e sobrevivência.


Muitos pacientes perguntam se vale a pena começar depois do diagnóstico. A resposta da ciência tem sido cada vez mais clara: sim. O corpo responde ao cuidado em diferentes fases da vida e da doença.


Acredito que uma das mensagens mais importantes trazidas por estudos como esse seja justamente a quebra da ideia de “tarde demais”. Na oncologia, cada ganho importa. Cada estratégia que contribua para ampliar qualidade de vida, funcionalidade e sobrevida merece atenção.


O tratamento do câncer vai além do combate à doença. Ele também envolve ajudar o paciente a continuar vivendo da melhor maneira possível.

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