No ano em que celebra seus 65 anos de existência como universidade federal e passou a integrar a lista do Times Higher Education (um dos principais rankings universitários do mundo), a Ufes elegeu sua primeira reitora, a atual vice-reitora Ethel Leonor Noia Maciel. Sem embargo, a maioria das notícias da mídia enfatizam que a nomeação depende do presidente Jair Bolsonaro (o que não deixa de ser verdade), fato que não pode ficar sem ser registrado é a importância da escolha pela comunidade acadêmica da primeira mulher para conduzir a única universidade federal do Espírito Santo.
Mais do que isso, cabe salientar que Ethel Maciel foi eleita com ampla margem de votos e, mesmo ocupando o posto de vice-reitora, não fugiu dos debates e sequer cogitou assumir a reitoria sem se submeter ao crivo de alunos, professores e demais servidores da Ufes; demonstrativo de que seu projeto de gestão foi satisfatoriamente aceito pela comunidade universitária.
Além de sua inquestionável capacidade técnica, Ethel Maciel, que é mestre em Enfermagem de Saúde Pública pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, doutora em Saúde Coletiva/Epidemiologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, pós-doutora em Epidemiologia pela Johns Hopkins University e membro do Grupo Técnico Assessor da OMS para Tuberculose, é, outrossim, intensa defensora dos direitos humanos e sociais e, sobremaneira, da universidade pública, um espaço essencialmente plural e democrático.
A eleição de Ethel Maciel traz a lume a importância da participação feminina nas atividades institucionais, acadêmicas e, por que não, políticas? Sabe-se que, por reiteradas vezes, os partidos políticos desobedecem ou aplicam de maneira meramente formal as normas tendentes a incentivar a participação feminina na política, esvaziando seu conteúdo.
Provas disso são as chamas candidaturas femininas laranja, quando os nomes de filiadas são inscritos como candidatas tão somente para cumprir a chamada quota de gênero. Resultado disso é que, apesar de a maior parte do eleitorado ser composto por mulheres, o número de candidatas eleitas é desproporcional ao número de homens eleitos.
A saída para maior igualdade na participação política se dá pela observância das normas já existentes, fortalecendo o sentimento coletivo da necessidade de maior equidade na política e pela conscientização social de que "quando uma mulher entra na política muda a mulher, quando muitas mulheres entram na política, muda a política".
Por isso, o fato de uma mulher ser eleita a primeira reitora da Ufes não pode deixar de ser valorizado, na medida em que incentiva a outras mulheres a prosseguirem e avançarem em suas vidas acadêmicas, profissionais e políticas.