Estamos chegando no final do ano, e sempre quando chegamos ao final somos intimados a voltar ao começo para fazer memória do que deu certo e errado, do que progrediu e regrediu, do que mudou para não deixar de existir. Maquiavel já dizia: “Uma mudança deixa sempre patamares para uma nova mudança". Melhor dizendo, o que mudou hoje, mudará amanhã. E assim vai.
Um dos exemplos do nosso assunto de hoje é a própria A Gazeta. Transformou-se para continuar a existir na vida e no cotidiano dos capixabas, que como a maioria da população do mundo está hiperconectada. A notícia no papel deixou de ser consumida como antes, por isso, um novo jornal nos foi oferecido, em novo formato, uma outra forma de consumo, sem perder a essência que é sempre comunicar o cotidiano capixaba. Aliás, a mudança foi tão encorajada e significativa que ganhou pautas nacionais e se tornou referência no quesito mudanças na comunicação.
A "Folha de S. Paulo" foi outro veículo que também decidiu mudar. Seguindo a força do podcast, entrou na vida dos brasileiros logo no Café da Manhã, comentando, discutindo notícia, pautas e emoções da política, economia, do cotidiano. A Globo também decidiu seguir o caminho, porque notou que as pessoas também passaram a consumir notoriamente os podcasts. Mas não para por aí... O Grupo Globo, no mês de novembro, agregou as marcas TV Globo, Globosat, Som Livre, Globo.com, Globoplay e DG Corp dentro de uma mesma estrutura: “Uma só Globo”. “A experiência digital mudou muito a maneira como o público consome mídia, conteúdo, e nós mudamos junto", realça Jorge Nóbrega, presidente executivo da marca.
Se notarmos toda mudança, ela inicia no comportamento. E, hoje, o nosso comportamento, quer no consumo de comunicação, quer no relacionamento, está sendo ditado pela chamada influência digital. Não suportamos viver desconectados, pois colocamos o nosso prazer no “estar plugado”. A influência digital modifica nossa forma de comprar, de ser, de pensar, de falar, de escrever, enfim...
Isso é tão verdade que recentemente o "Meio&Mensagem" veiculou dados importantes dizendo que o Google (que soma o YouTube) e Facebook (com Instagram e WhatsApp) ficaram com 86% da receita publicitária mundial — U$ 55 bilhões do Facebook e U$ 117,3 bilhões do Google em 2018. Já pensou?
A forma de fazer comunicação mudou. Todos viramos influentes e líderes de opinião nessa era digital, mas a forma como estamos consumindo comunicação não precisa ser questionada? Nota: tudo muda a partir de nós. Tudo nos é oferecido a partir do que desejamos. Tudo está sendo transformado para nos “agradar”. A partir da reflexão de hoje, precisamos nos perguntar: Quem eu sou? Aliás, estou sendo eu? O que ando desejando? Se tudo muda a partir do meu comportamento, como estou me comportando? Será do melhor modo? Da mesma forma como não podemos nos permitir ser manipulados, da mesma forma não posso manipular a transformação.