
Isabela Castello*
Vemos atualmente no processo eleitoral para a presidência da República uma grande polarização entre Bolsonaro e o Partido dos Trabalhadores, com o primeiro candidato liderando as pesquisas, mas tendo Haddad se aproximando para um empate técnico.
Vejo, especialmente nas redes sociais, que grande parte dos votos do Bolsonaro são considerados votos anti-PT. Muitos dos seus eleitores justificam sua intenção de voto como uma opção para fugir de mais uma gestão de um candidato do PT na presidência.
Se a intenção destes candidatos é não ter o PT no poder, votar no Bolsonaro pode acabar provocando exatamente o que estes eleitores querem evitar, que é colocar o PT no poder novamente
Entendo perfeitamente o desgosto e até mesmo o desespero dessas pessoas que temem mais quatro anos do PT no poder. Apesar de alguns êxitos na gestão do Lula, como a redução da desigualdade social e a redução da pobreza no Brasil, no geral, os governos do PT foram muito negativos para a sociedade. E seu efeito mais nefasto foi o crescimento da corrupção a níveis elevadíssimos. Todos nós sabemos que a corrupção na gestão pública não começou com o PT e não terminou com a saída do PT do poder, mas foi a partir da Lava Jato que tomamos conhecimento de como fomos e somos lesados diuturnamente pelos nossos gestores públicos. A divulgação de todos estes esquemas de corrupção criou um nível de insatisfação crescente e uma parcela considerável da população não quer ver novamente o PT no poder.
O candidato Bolsonaro foi o depositário de grande parte destes votos anti-PT, mesmo com todas as ressalvas com relação ao seu baixo nível de preparo intelectual, experiência política e ética.
Se é verdadeiro que grande parte dos eleitores do Bolsonaro estão votando contra o PT, parece-me que está havendo um grande equívoco por parte destes eleitores. As pesquisas mais recentes indicam que, num eventual segundo turno com Haddad, o Bolsonaro perderia.
Se a intenção destes candidatos é não ter o PT no poder, votar no Bolsonaro pode acabar provocando exatamente o que estes eleitores querem evitar, que é colocar o PT no poder novamente. Em função dos índices de rejeição do Bolsonaro, dificilmente, ele vencerá Haddad no segundo turno. Seu índice de rejeição cresceu nas últimas semanas.
Desde a volta das eleições diretas, em 1989, nenhum líder na disputa presidencial registrou uma rejeição tão alta, a dez dias do primeiro turno, quanto o candidato Bolsonaro.
Se estes eleitores querem evitar a qualquer custo o retorno do PT à presidência, votar em Bolsonaro pode ser a estratégia errada. O resultado pode ser exatamente o oposto do desejado. O voto anti-PT em Bolsonaro pode colocar de novo a faixa presidencial em um candidato do Partido dos Trabalhadores.
*A autora é administradora e designer