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Vitor Vogas

Você conhece o PP?

Apesar de o termo "progressista", hoje, ser mais associado a partidos de esquerda, o PP é de centro- direita. Nasceu na ditadura, como PDS. Desde então, já foi PPR, PPB, PP e, agora, só Progressista

Publicado em 28 de Abril de 2018 às 20:52

Públicado em 

28 abr 2018 às 20:52
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Marcus Vicente Crédito: Arquivo

Se o caso envolve um cacique do PMDB, todos prestam atenção. Se envolve um líder petista, mobiliza protestos, cliques, interações na internet. Se o alvo é um figurão tucano, as discussões também são certas. Mas e quanto ao Partido Progressista (PP)? Não obstante estar envolvido até o pescoço em todos os principais escândalos políticos nacionais neste século, o PP vai passando ao largo da indignação popular. É como se fosse “café com leite”. Ou alguém aí já viu algum protesto contra a corrupção do PP?

Enquanto isso, o partido vai crescendo. Hoje, acumula três ministérios, o comando da Caixa e a terceira maior bancada da Câmara Federal. Um tamanho incompreensível, já que proporcional ao grau de envolvimento de seus integrantes em maracutaias federais. Quer ver?

Poderíamos começar dizendo que o PP é o partido de Paulo Maluf, apelidado de Mr. Kickback (algo como Sr. Propina) pela ONG Transparência Internacional, em 2014. E talvez isso bastasse. Mas tem muito mais.

O MENSALÃO

Junto a PTB, PL (atual PR) e outros mais, o PP foi um dos partidos que se beneficiou diretamente do mensalão, o esquema de compra de apoio de bancadas na Câmara montado pelo PT no primeiro governo de Lula (2003-2006) para “garantir a governabilidade”. Na famosa Ação Penal 470, dois deputados federais do PP foram condenados pelo STF a 7 anos e 2 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro: Pedro Henry (MT) e Pedro Corrêa (PE), que chegou a ser cassado. Líder do partido na Câmara na época do escândalo, José Janene (PR) só não foi condenado e punido porque sofreu um AVC e morreu em 2010, antes do julgamento do mensalão no STF. Talvez esse caso bastasse.

Mas podemos acrescentar que Janene esteve na origem de outro escândalo, ao lado de um apadrinhado dele que daria o que falar desde 2014.

O PETROLÃO

Enquanto o esquema do mensalão rolava solto, outro muito maior e mais sofisticado se iniciava no governo de Lula: o petrolão, no qual o PP teve participação ainda mais evidente.

Em 2004, por indicação de Janene, o partido conseguiu emplacar Paulo Roberto Costa na poderosa Diretoria de Abastecimento da Petrobras durante o governo petista. No loteamento da estatal, essa diretoria foi a que coube ao PP. Costa, em 2014, tornou-se um dos primeiros grandes delatores no âmbito da Lava Jato. E, como confessou à Justiça, tratou de fazer a sua parte enquanto esteve no cargo estratégico: graças a ele e a sua atuação direta, o PP arrecadou dutos de propina, para os cofres do partido e os bolsos dos partidários, por meio de contratos superfaturados firmados pela diretoria da estatal com empreiteiras.

A LISTA DE JANOT

Não por acaso, o PP foi recordista na “lista de Janot”, como ficou conhecida a primeira relação de políticos investigados no STF em decorrência da Lava Jato e a pedido do então procurador-geral da República. Na lista, que completou três anos no mês passado, o então relator da Lava Jato no Supremo, ministro Teori Zavascki, autorizou a abertura de inquéritos para apurar a conduta de 47 políticos de diferentes partidos. Nada menos que 29 deles eram do PP, incluindo três senadores e 16 deputados federais com mandato, além de vários ex-parlamentares e Mário Negromonte, ex-ministro das Cidades no governo Dilma (2011-2012).

Dessa primeira lista, três políticos já foram condenados e presos. Entre eles (de novo!), Pedro Corrêa, que está em prisão domiciliar.

A LISTA DE FACHIN

Aí veio a “lista de Fachin”, em abril de 2017, a partir da megadelação da Odebrecht. Na delação, 30 políticos do PP foram citados de alguma maneira. Por decisão do ministro Edson Fachin, que herdou do falecido Teori a relatoria da Lava Jato no Supremo, nove progressistas passaram a ser investigados no Supremo: o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (MT), a ex-governadora do Rio Grande do Norte Rosalba Ciarlini, cinco deputados federais e os senadores Ivo Cassol (RO) e Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do partido desde 2013.

No total, hoje, 11 deputados do PP estão na mira da Lava Jato: cinco são investigados, três já foram denunciados e três, transformados em réus: José Otávio Germano (RS), Luiz Fernando Faria (MG) e Nelson Meurer (PR), que terá a “honra” de ser o primeiro político julgado no STF em consequência da Lava Jato. Outros oito deputados chegaram a ser investigados, mas tiveram o inquérito arquivado. Além disso, três senadores são alvo da operação: um deles, Cassol, ainda na condição de investigado; os outros dois, Ciro Nogueira e Benedito Lira (AL), na de denunciados.

O QUADRILHÃO DO PP

Ao lado de outros dez progressistas, Nogueira e Lira foram denunciados por Rodrigo Janot, pelo crime de organização criminosa (formação de quadrilha), em setembro de 2017, sob a acusação de integrarem o chamado “quadrilhão do PP”. Segundo os termos da denúncia, os membros da organização receberiam repasses frequentes de verbas desviadas da Petrobras.

Em março, respondendo à defesa prévia dos 12 supostos quadrilheiros, a sucessora de Janot na PGR, Raquel Dodge, pediu ao STF o integral recebimento da denúncia e a abertura da ação penal proposta. Segundo ela, provas reunidas no Inquérito 3.989 apontam que o esquema criminoso se estendeu de 2006 a 2015, tendo causado prejuízo de cerca de R$ 29 bilhões à Petrobras.

IMPROBIDADE

Como se não bastasse, o PP é o alvo da única ação civil pública movida contra um partido até agora em decorrência da Lava Jato. No fim de março, o MPF no Paraná apresentou ação de improbidade administrativa à Justiça Federal contra o PP e dez de seus integrantes, pedindo que todos – inclusive o PP, como pessoa jurídica – sejam condenados ao pagamento de R$ 2,3 bilhões aos cofres públicos em ressarcimento ao erário, multa civil e indenização por danos morais coletivos.

ENTREVISTA | Marcus Vicente, presidente estadual do PP

O presidente estadual do PP, deputado federal Marcus Vicente, não comenta o envolvimento de dezenas de colegas de partido na Lava Jato. Prefere ressaltar que nem ele nem membro algum da sigla no Espírito Santo foram atingidos pelas investigações.

Nos últimos anos, o PP é um dos partidos mais envolvidos nos maiores escândalos da política nacional, como o mensalão e o petrolão. Por que isso acontece?

Não me cabe fazer juízo sobre isso. Cabe a cada denunciado responder por ele. Nós temos que responder por nossos atos, como dirigente partidário, como integrante do partido e como cidadão. Agora, não posso responder pelos outros, se estão envolvidos ou não. Desculpa, mas não posso emitir nenhum juízo nem opinião sobre isso. Por que estão envolvidos? Não sei. O mais importante é ter a consciência tranquila de que eu e meus correligionários no Espírito Santo não temos nenhum tipo de envolvimento direto nem indireto com nada disso.

Apesar do envolvimento de muitos progressistas em esquemas Brasil afora, o PP é um dos partidos que mais cresce no Congresso e também no Espírito Santo, com saldo de 120 filiações só este ano no Estado. Como explicar isso?

Isso é foco do trabalho e é a visão já em 2020, porque nas próximas eleições municipais não teremos mais coligações proporcionais. Então, quando você chega num município construindo o partido e coloca essa visão, você já está fazendo uma projeção municipalista. Esse é o motivo que atrai filiados de partidos menores que não formarão chapa completa e, portanto, perdem competitividade. A tendência é que os membros de partidos menores passem para partidos de médio e grande porte. É essa a perspectiva.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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