É assustador que diariamente 28 mulheres procurem a Justiça para garantir a própria proteção por estarem expostas a agressões físicas e psicológicas. O número tão elevado de pedidos de medidas protetivas de urgência (foram 3.960 processos que ingressaram em 2018 até 21 de maio) é chocante por comprovar que há uma verdadeira epidemia de violência contra a mulher no Estado, que no ano passado alcançou a maior taxa de feminicídio do Sudeste e a terceira maior do Brasil.
Ao mesmo tempo, mostra uma reação: as mulheres estão se calando cada vez menos. É preciso coragem para denunciar um marido, um namorado, um pai, um irmão... A violência doméstica sempre foi estigmatizada, mas mulheres estão tendo mais acesso à informação e tomando posse de seus direitos, independentemente de quão próximo seja o agressor. A lição que fica é que não é vergonha pedir socorro antes que o pior aconteça. Ainda há muito a ser feito para se vencer o machismo ainda tão arraigado à sociedade, é preciso continuar nesse caminho. O silêncio não pode vencer.