O deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) está descartado: não fará parte do governo de Renato Casagrande (PSB). Na verdade, foi o próprio Vidigal quem se descartou. O deputado e ex-prefeito da Serra chegou a ser cotado para compor o secretariado de Casagrande. Mas ele próprio não tem interesse em se licenciar da Câmara dos Deputados para ir para o governo estadual, como tratou de informar a Casagrande em recente conversa entre os dois.
Reeleito em outubro, Vidigal prefere permanecer em Brasília por entender que assim mantém aberta a opção de voltar a disputar a Prefeitura da Serra, em 2020. “Se ele virasse secretário para sair até abril de 2020, seria ruim para ele e para o governo. Viraria um secretário com prazo de validade”, analisa um agente político que participou dessa articulação.
Certo mesmo é que o PDT terá espaço no primeiro escalão do governo de Casagrande. Ainda não estão definidos, contudo, nem a secretaria nem o quadro do partido que será escalado para ocupá-la. Para Casagrande, dirigente do PSB, é estratégico contemplar o PDT no secretariado, para estreitar no Espírito Santo a aliança política já consolidada nacionalmente entre os dois partidos.
RUIM PARA NEUCIMAR
Com a negativa de Vidigal, quem mais sai perdendo é o presidente estadual do PSD, Neucimar Fraga. Ex-prefeito de Vila Velha e ex-deputado federal, Neucimar quer voltar para a Câmara Federal. Para isso, precisa que Vidigal se licencie do próximo mandato – para exercer algum cargo no governo estadual, por exemplo.
Neucimar disputou a última eleição a deputado federal, na mesma chapa de Vidigal. Além do PSD e do PDT, a coligação "Espírito Santo Forte" reuniu o DEM, o PSDB, o PRP e o Solidariedade.
Dois deputados federais se elegeram por essa coligação: Vidigal e Norma Ayub (DEM), também reeleita. Neucimar ficou como o primeiro suplente.
A chance de Norma ser “puxada” por Casagrande para o governo é considerada remota – até porque ela pode ser mais útil para o próximo governador na Câmara como uma ponte com o governo Bolsonaro, já que o DEM adquiriu protagonismo na formação da Esplanada dos Ministérios.
Assim, Neucimar apostava tudo na ida de Vidigal para alguma secretaria. Os dois chegaram a conversar sobre isso na última segunda-feira (10). Apoiador de Bolsonaro e entusiasmado com o novo momento político nacional, Neucimar confirma o desejo de voltar para a Câmara.
“Na eleição de outubro, os brasileiros votaram por muitas mudanças, e quero estar lá participando desse momento. Será um período de reformas importantes, como a tributária e a previdenciária, e de medidas desburocratizantes. Me sinto preparado para participar desses debates e para dar a minha contribuição.”
Neucimar tem histórico ligado ao empreendedorismo e uma visão político-econômica liberal, na linha do que defende o futuro superministro da Economia, Paulo Guedes.
“Defendo que o melhor programa social não é o Bolsa-Família, não é nenhum programa assistencialista. É o desenvolvimento sustentável. Precisamos preparar uma nova geração que não seja dependente de carteira de trabalho.”
Antes de entrar para a política (como vereador de Vila Velha), Neucimar passou por vários empregos informais, inclusive o de camelô. Após deixar a Prefeitura de Vila Velha, em 2013, ele atuou em uma empresa do ramo imobiliário. De fevereiro de 2017 a abril deste ano, foi subsecretário estadual de Desenvolvimento, nomeado pelo governador Paulo Hartung.
Agora, voltar para o governo pode ser a única saída para o ex-prefeito de Vila Velha permanecer vivo na política, após quatro derrotas eleitorais seguidas.
PSD NO GOVERNO?
O PSD foi um dos 18 partidos que fizeram parte da coligação de Casagrande na eleição estadual. Por isso, espera ser contemplado de algum modo. Uma forma de agradar ao partido seria justamente facilitar o retorno de Neucimar à Câmara (o que, como vimos, não vai rolar). A alternativa seria acomodar algum quadro do partido, possivelmente o próprio Neucimar, em algum cargo no governo Casagrande.
O governador eleito já sinalizou que quer conversar com os dirigentes do PSD. Mas essa conversa ainda não ocorreu.
Eventual inclusão do PSD no primeiro escalão enfrenta algumas resistências, tanto de outros partidos aliados como de conselheiros de Casagrande no PSB, porque o partido de Neucimar foi o último a ingressar na coligação, no início de agosto. Dirigentes de outros partidos que entraram na barca de Casagrande muito antes se sentiriam desprestigiados.
Além disso, até o último momento para fechamento das alianças eleitorais, Neucimar atuou pessoalmente para manter o bloco de partidos "hartunguistas" que acabou implodindo com a recusa de Paulo Hartung em disputar a reeleição. Neucimar também foi um dos protagonistas do movimento para que o governador reconsiderasse a decisão (o “Volta, Hartung”).
Mas o convite de Casagrande ao PSD pode mesmo ocorrer, ainda que não seja para um cargo do primeiro escalão. Além do próprio Neucimar, o partido tem os nomes do ex-prefeito de Aracruz Ademar Devens, o subsecretário estadual de Gestão e Infraestrutura de Esporte, Andinho Almeida, e o ex-diretor técnico operacional da Ceasa, Henrique Casamata, entre outros quadros.