
Victor Griffo Sezino*
No Canadá, o 22º regimento de infantaria, na cidade de Quebec, tem como lema “Je me souviens”, que em português significa “eu me lembro”. Em datas comemorativas, esse regimento se reúne e chama, em voz alta, o nome dos militares que morreram em combate, para que nunca se esqueçam de seus feitos. É uma forma de homenagem e de mantê-los vivos, pelo menos na memória.
Por aqui, como em outubro teremos um novo período de eleições, o exercício da memória passou a ser nossa necessidade. Das últimas eleições presidenciais - onde também votamos para governador, senador e deputados federais e estaduais - até hoje, a Operação Lava Jato e suas fases já instauraram 1.765 inquéritos, realizaram 227 conduções coercitivas, 114 mandados de prisão preventiva, 120 prisões temporárias e seis prisões em flagrante, por exemplo.
A memória é um instrumento fantástico, mas pode confundir-se e ter distorções a depender do estado emocional e das situações nas quais as pessoas são expostas
Além disso, vivemos em uma época em que assistimos, em tempo real, ao fato icônico de um ex-presidente ter sido investigado, acusado, julgado e iniciado o cumprimento da pena de um de seus três processos. Junto a ele, outros 160 personagens do cenário político-empresarial já foram condenados pelo menos em 1ª instância. Ainda há os que estão sob investigação, os que foram citados e os que têm relacionamento público ou secreto com empresas envolvidas com corrupção em instituições ou estatais.
Todos eles devem estar sob nossos holofotes, nossos olhares curiosos, em nossas pesquisas de internet e nos aplicativos de consulta. Não podemos esquecer. É o exercício da memória.
Mas, por que será que muitos deles serão eleitos? Por que temos uma memória fraca, seletiva, que não tem tempo para o assunto? Ou seria uma questão de prioridades? Tanto é que não é difícil encontrarmos pessoas que sabem exatamente a escalação dos titulares e reservas do Brasil, na Copa.
A memória é um instrumento fantástico, mas pode confundir-se e ter distorções a depender do estado emocional e das situações nas quais as pessoas são expostas. Cabe a nós termos sempre em mente os nomes de cada político e empresário que está envolvido nessas falcatruas. Temos o dever de não dar espaço a esse tipo de ser humano nas próximas eleições e nas vindouras, mesmo que tenhamos que nos reunir e bradar, em voz alta, o nome de cada um, seguido do coro: “Eu me lembro!”.
*O autor é associado trainee do Instituto Líderes do Amanhã