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Saúde

Vacinação deve ser impositiva e punir omissões

Campanhas de vacinação não estão surtindo efeito, que sejam então obrigatórias. Há que se estabelecer punição de pais que se mostrarem omissos

Publicado em 25 de Agosto de 2018 às 16:48

Públicado em 

25 ago 2018 às 16:48

Colunista

Vacinação: imunização na rede pública protege contra três vírus de gripe
Luiz Carlos Borges da Silveira*
As notícias sobre campanhas de vacinação e seus resultados revelam sistematicamente que as metas não vêm sendo atingidas. Esse fato gera natural preocupação na saúde pública devido ao recrudescimento de doenças existentes e reaparecimento de outras que pareciam erradicadas. Além disso, há o surgimento de doenças novas que igualmente merecem atenção em termos preventivos. Até alguns tipos de gripes têm registrados casos fatais, segundo recentes informações.
Sem dúvida, há uma espécie de conspiração contra a mobilização pela saúde pública. Inacreditavelmente, há pessoas e grupos com ideias anti-vacinação que pelas redes sociais disseminam conceitos estapafúrdios que vão de crenças religiosas a posições ideológicas. Esses grupos criam mitos e boatos, como sobre a imunização contra a gripe, de que a vacina faz com que a pessoa fique gripada, quando na verdade previne infecções e pode salvar vidas.
A vacinação é o meio de enfrentar o problema e isso depende de campanhas sociais, chamamento e efetivas ações. Se as campanhas não estão produzindo os resultados esperados, devem ser revistas e reestudadas. Ultimamente, foram deflagradas campanhas contra poliomielite, sarampo, febre amarela, dengue, influenza, entre outras, com baixo nível de imunização, o que é preocupante.
 
A vacinação é o meio de enfrentar o problema e isso depende de campanhas sociais, chamamento e efetivas ações. Se as campanhas não estão produzindo os resultados esperados, devem ser revistas e reestudadas
Essa dificuldade de resposta positiva não é problema atual, mas deve ser enfrentado com criatividade e rigor. Quando assumi o Ministério da Saúde, em 1987, ainda havia casos de poliomielite. A população se mostrava refratária ao chamamento para comparecer aos postos de saúde. Foi necessário desenvolver uma campanha maciça, até o Exército colaborou indo às casas para vacinar a população. Surgiu a figura do “Zé Gotinha”, até hoje mantida, mas pouco utilizada. O Brasil se tornou modelo em vacinação e a pólio foi erradicada.
Hoje, a poliomielite é ameaça constante e somente pode ser barrada com imunização. Segundo dados oficiais, há risco de retorno da doença. O Ministério da Saúde reconhece que há dificuldade em cumprir as metas e foi feito novo alerta para a gravidade da situação. Na sequência, campanhas foram realizadas sem modificação do quadro.
Tenho notado que as campanhas acabam prorrogadas, por não alcançarem as metas previstas. Parece que há desinteresse da população, das famílias, e as doenças vão se alastrando. Entendo que se campanhas educativas e de conscientização não estão surtindo efeito desejado, que sejam obrigatórias. Há que se buscar formas e meios para isso e estabelecer punição de pais e responsáveis que se mostrarem desinteressados ou omissos, algo como suspensão de benefícios sociais ou mesmo multa pecuniária. Não será nenhuma arbitrariedade, pois se trata de saúde pública, bem-estar da população. Não é admissível que doença que se supunha erradicada reapareça. É evidente a importância de manter a vacinação em dia para evitar essas doenças e suas sequelas.
*O autor é médico, ex-ministro da Saúde e criador do “Zé Gotinha”

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