*André Hees
Albuíno Azeredo era engenheiro, secretário de Planejamento do governo Max Mauro, foi um dos idealizadores do Transcol. No governo Max, fez um trabalho importante com os prefeitos e acabou sendo lançado candidato a sucessor de Max, com o apoio da chamada frente dos prefeitos, contra o então senador José Ignacio Ferreira, que começou a campanha de 1990 como franco favorito.
Albuíno, com o apoio de Max e dos prefeitos, tinha apenas 2% das intenções de votos nas pesquisas. O governo de Max era bem avaliado. Albuino acabou virando o jogo e se elegeu. Ao lado de Alceu Collares, do Rio Grande do Sul, foi um dos primeiros governadores negros da história do país.
No governo, acabou enfrentado crises financeiras, com atraso no pagamento de servidores e greves. Certa vez, em 1992, eu era repórter de Cidades e Albuíno estava em agenda na prefeitura de Vila Velha. O prefeito era Jorge Anders. Eu cobria o encontro. Como a agenda do governador era pública, os professores da rede estadual, em greve, cercaram a sede da prefeitura para protestar e cobrar uma audiência com ele, Albuíno.
Ao saber que a prefeitura estava cercada por dezenas, talvez centenas de manifestantes, um aliado sugeriu a Albuíno: “Governador, vamos sair pela garagem. O senhor entra no carro e evita o protesto”. “Negativo, vou sair pela porta da frente”, respondeu o governador.
E enfrentou os manifestantes, que solicitavam uma audiência: “Suspendam o movimento que recebo vocês. Enquanto estiverem em greve, não recebo”. Contei tudo isso na reportagem que foi publicada na época. E me lembrei do episódio ao saber de seu falecimento. Para mim, ficou na memória como um momento de coragem política.
*André Hees é editor-chefe de Jornalismo Impresso e On-Line