Primeiro foi Luciano Huck. Agora, Joaquim Barbosa. Até o início do ano, havia grande expectativa de que a eleição presidencial de 2018 no Brasil pudesse ser protagonizada por candidatos “não políticos” (com muitas aspas). A vitória de alguns candidatos de fora do establishment político nas eleições municipais de 2016 reforçaram essa expectativa, assim como a tão falada busca pelo “novo” e certo movimento de rejeição à classe política tradicional. Porém, um a um, os presidenciáveis com esse perfil de outsiders, considerados realmente competitivos, estão se retirando do páreo antes do tiro de largada.
A menos que surja uma surpresa avassaladora até agosto (o que parece muito pouco provável), o fenômeno tão aguardado e anunciado da ascensão dos outsiders não vai se confirmar na eleição presidencial. Ao contrário, o que deve se confirmar é a presença e o protagonismo de políticos experientes: candidatos largamente testados nas urnas e conhecidos pelos eleitores brasileiros, da esquerda à extrema-direita. Pelo menos em termos de nomes, não haverá essa “renovação política” cantada em prosa e verso.
É o que sustenta o cientista político Adriano Oliveira, professor da UFPE. “Com a saída de Huck e de Barbosa, o cenário continua o mesmo. Mesmo que o eleitor queira o novo, esse novo não vai estar disponível. Nem para deputados, nem para senador, nem para governador, nem muito menos para presidente. Os candidatos que permanecem no páreo, em condições minimamente competitivas, fazem parte do establishment. Essa renovação não vai acontecer”, vaticina. “A eleição para mim já está definida: de um lado você vai ter o candidato do PT e do outro o antipetista. Essa vai ser a eleição.”
O recuo de Huck e de Barbosa fortalece a convicção de Oliveira. Para ele, os dois ameaçavam de verdade os candidatos da elite política e tinham mesmo potencial para alterar e desestabilizar esse quadro de polarização. Isso porque, por motivos diferentes, ambos poderiam tirar votos tanto do candidato petista como do antipetista.
“Huck e Barbosa circulariam bem entre eleitores lulistas e antilulistas. Huck poderia ser um ‘Lula chique’: jovem, extremamente conhecido, excelente comunicador, simpático ao mercado, além de seu programa ter quadros que mostram certa sensibilidade social. Poderia agradar ao eleitorado da classe D à classe A. Joaquim Barbosa também, em virtude de sua seriedade e do combate à corrupção. Por outro lado, também seria explorada a origem dele, de um negro pobre que obteve sucesso. Ambos se identificam com o eleitorado lulista e, ao mesmo tempo, agradariam a antilulistas.”
Já o cientista político Adriano Gianturco, do Ibmec de Belo Horizonte, pondera que persistem dois outsiders, embora com chances remotas de vitória: João Amoêdo (Novo) e Flávio Rocha (PRB), representantes do mercado e do meio empresarial. “São até mais outsiders que o Barbosa, só que a mídia não está dando muito espaço para eles.” Para Gianturco, as candidaturas de Huck e de Barbosa, se confirmadas, poderiam fazer a esquerda brasileira se unir. Por outro lado, a retirada de ambos mostra exatamente a dificuldade da esquerda em unir forças.
Quem mais lucra com a saída de Barbosa são Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede), avalia o professor. Para ele, contudo, ou a esquerda se unifica em torno de uma candidatura moderada ou vai dar de bandeja a vitória a Jair Bolsonaro (PSL). “Se a esquerda não consegue se unir, é Bolsonaro quem ganha.”
Fora do mercado
Para o cientista político Adriano Oliveira, os candidatos tradicionais respiram aliviados com a desistência de Huck e de Barbosa. “O eleitor deseja o novo, isso é fato. Huck e Barbosa eram perigosos para os candidatos tradicionais: Alckmin, o do PT e o do governo Temer. Zeravam a eleição. Classifico os dois como bons produtos que poderiam ser oferecidos ao mercado eleitoral e chegar ao 2º turno.”
Aldo vem aí
Recém-filiado ao Solidariedade, o ex-ministro dos Esportes Aldo Rebelo era um dos poucos pré-candidatos à Presidência que ainda não tinha pisado no Espírito Santo em pré-campanha. Era. Segundo o presidente estadual do SDD, deputado Jorge Silva, Aldo, ex-PCdoB, visitará o Estado na próxima segunda-feira.
Majeski e Casagrande
Desde que se filiou ao PSB, o deputado Sergio Majeski colou em Renato Casagrande. Em pré-campanha, respectivamente, ao Senado e ao governo do Estado, os dois já foram juntos a Barra de São Francisco, Divino de São Lourenço, São Mateus, Dores do Rio Preto, Guaçuí, Baixo Guandu e nos bairros São Pedro (Vitória) e Boa Vista (Vila Velha). Hoje irão a Águia Branca e amanhã à Serra.
CPI da Sonegação
Na Assembleia Legislativa, a CPI da Sonegação, presidida pelo governista Enivaldo dos Anjos (PSD), convocou a depor, na próxima terça-feira, às 9h, o diretor-presidente da EDP Escelsa no Estado, Michel Nunes Itkes, e o presidente do Banestes, Michel Sarkis.
Magalhães no ninho
O prefeito de Guarapari, Edson Magalhães, confirma: vai trocar o PSD pelo PSDB, a convite do vice-governador César Colnago e do senador Ricardo Ferraço.
Givaldo no comando do PCdoB
O deputado federal Givaldo Vieira, ex-PT, assumirá a presidência estadual do PCdoB em conferência extraordinária do partido no próximo dia 26, no lugar de Ronaldo Barboza.
Cena Política
Como apresentador de TV, o deputado estadual Amaro Neto (PRB) já trocou o Espírito Santo por Minas Gerais no passado. Como parlamentar, trocou o Espírito Santo pelo Ceará. Pelo menos é o que sugere a redação de um projeto de lei que o deputado acaba de protocolar. O Artigo 1º diz, textualmente: “Ficam as delegacias de polícia do Estado do Ceará obrigadas a fixar em local público cartazes esclarecedores acerca da legislação que prevê o crime de falsa comunicação”. Pelo jeito alguém no gabinete comeu mosca.