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História

Um verdadeiro carrasco? Alberto Monteiro e a espionagem no campus da Ufes

Funcionário de carreira da Ufes e formado em Direito, Alberto Monteiro liderava comissões de inquérito para analisar a situação de alunos e a contratação de servidores supostamente subversivos

Publicado em 04 de Fevereiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

04 fev 2020 às 04:00
Herbert Soares

Colunista

Herbert Soares

Campus da Ufes de Goiabeiras  Crédito: Universidade Federal do Espírito Santo/ Divulgação
“Porta-voz dos militares”, “carrasco” e “informante dos órgãos de segurança” são algumas das características atribuídas por ex-militantes do movimento estudantil capixaba a Alberto Monteiro, um influente servidor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) durante a ditadura militar (1964-1985).
Tais considerações, obtidas em depoimentos colhidos pela Comissão da Verdade da Ufes, revelam parte da personalidade do principal elemento da ditadura no campus e que atuou como chefe da Assessoria Especial de Segurança e Informação (Aesi/Ufes), o órgão responsável pelo monitoramento da universidade nos “anos de chumbo”.
Funcionário de carreira da Ufes e formado em Direito, Alberto Monteiro liderava comissões de inquérito para analisar a situação de alunos e a contratação de servidores supostamente subversivos, chegando até a influenciar na autorização para professores realizarem suas atividades ou viajar a trabalho. Dessa forma, não media esforços para impedir qualquer sinal de oposição ao poder vigente no país.
Sua trajetória está retratada no relatório final da Comissão da Verdade da Ufes, um material esclarecedor sobre as ações da ditadura dentro da universidade e desde 2016 disponível no site da instituição. Lá, vários ex-estudantes relembraram detalhes do sistema de vigilância e da repressão promovida contra a comunidade universitária.
Uma das atingidas pela espionagem, a discente de Medicina, Elisabeth Madeira, recordou as dificuldades vividas: “Também respondi a inquérito na Ufes, baseado no decreto 477, debaixo de constrangimentos, ameaças, agressões por parte de Alberto Monteiro, encarregado do setor de informações políticas”.
Outra fonte mencionada no relatório é a extinta revista "Espírito Santo Agora", que na edição de setembro de 1979 abordou as perseguições ocorridas na universidade e, abastecida de declarações de ex-estudantes, não economizou nas críticas contra Alberto Monteiro.
À reportagem, o ex-aluno de Direito Arlon José de Oliveira disse que Alberto Monteiro “chegou a ameaçar, com arma em punho, os estudantes que planejavam a Semana de Medicina”. Arlon também denunciou a existência de agentes da repressão infiltrados nas salas de aula e que eles ingressavam no curso de Direito sem vestibular, num esquema montado pelo comandante da Aesi/Ufes.
Por sua vez, aproveitando o espaço disponibilizado pela revista, Alberto Monteiro negou todas as acusações e mostrou-se indignado ao saber que era comparado a um carrasco: “Um verdadeiro carrasco? Quando eu sempre me limitei a cumprir minha função, que é a de informar ao reitor os assuntos de seu interesse e os de segurança nacional? O que ocorreu daí em diante é da competência dos mais altos escalões do SNI”.
Segundo a matéria, publicada logo após a promulgação da Lei da Anistia, Alberto Monteiro era contra o retorno da “antiga geração” ao processo político e esperava retrocessos na redemocratização do país: “Talvez por guardar ainda uma esperança de recuo na abertura, é que o gabinete de Alberto Monteiro mantém o retrato presidencial de Ernesto Geisel ainda na parede, ignorando teimosamente os tempos que correm”.
Conforme consta no relatório da Comissão da Verdade da Ufes, Alberto Monteiro se aposentou como assistente administrativo e também na função de professor e “faleceu em 2011, sem nunca prestar contas dos atos cometidos durante seu período como chefe da Aesi/Ufes”.

Herbert Soares

É mestre em História pela Ufes. Neste espaço, a história capixaba é a protagonista, sem deixar de lado as atualidades. Escreve às terças.

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