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Economia

Um país civilizado

É lamentável que a corrupção institucionalizada pelos governos do PT leve parte da população sem memória a apoiar a aventura de uma intervenção militar

Publicado em 29 de Setembro de 2017 às 14:22

Públicado em 

29 set 2017 às 14:22

Colunista

Em meio ao turbilhão político podemos enxergar sinais promissores. A economia está descolada da crise política e, pela primeira vez em muitos anos, podemos ter taxas de juros decentes e inflação de país civilizado. Outro sinal promissor é que as entranhas da corrupção estão sendo desvendadas como nunca antes na história do país. Certamente, ela não acabará, mas nunca mais acontecerá com a desenvoltura dos últimos anos. Nunca se imaginou que pessoas poderosas, grandes empresários como Marcelo Odebrecht, e políticos como Eduardo Cunha e Sérgio Cabral pudessem ficar presos. Marqueteiros, doleiros, tesoureiros, lobistas, ex-presidentes, entre outros participantes da rede estão sendo processados e presos, embora políticos com foro privilegiado tenham processos demorados.
Os que defendem intervenção militar deveriam se informar de que não houve na ditadura militar um processo fundamentado como a Lava Jato. Apesar da justificativa de combate à corrupção e ao comunismo, mandatos foram cassados sem muita informação, atingindo líderes políticos até por perseguição e medo da popularidade, como aconteceu com JK e com Carlos Lacerda, um dos líderes civis do golpe. E sem prisão de corruptores.
A intervenção que seria temporária se estendeu por 21 anos, com censura à imprensa, governadores como Maluf, histórias de corrupção não publicadas, invasões de universidades, perseguição a artistas e intelectuais, arbitrariedades, tortura e desaparecimento de pessoas.
Generais se sucederam, em um arremedo de democracia, com um Congresso fechado de vez em quando. A farsa ficaria desmoralizada na proibição de que o vice-presidente Pedro Aleixo, civil, assumisse no lugar de Costa e Silva, acometido por um AVC em 1969. A economia vivia uma situação externa extremamente favorável, mas em seguida, o governo imprevidente e incompetente foi atropelado pelos choques do petróleo em 1973 e 1979 e entramos na década perdida de 1980. O fracasso econômico, com inflação de 200% ao ano, precipitou o fim de uma intervenção desmoralizada.
Durante a ditadura, o Brasil era conhecido como República de bananas no exterior, o que deveria desmotivar novas intenções de intervenção, que nos colocariam na companhia deprimente de republiquetas africanas ou da Venezuela aos olhos do mundo. É lamentável que a corrupção institucionalizada pelos governos do PT leve parte da população sem memória a apoiar a aventura de uma intervenção militar.
Vamos continuar a limpa inédita pela Justiça, votar bem em 2018, sem populistas ou salvadores da pátria, e tomar o rumo de um país civilizado. Chega de aventuras.
*O autor é consultor, membro do Conselho de Administração do Ibef/ES

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