Um dos desafios da educação no país é fazer os jovens permanecerem mais tempo diariamente na escola, o que não é simples pelas próprias imposições sociais e econômicas da realidade brasileira. No ensino médio, os obstáculos são ainda maiores, por se tratar da etapa em que a evasão escolar é quase regra entre os estudantes de renda mais baixa. Fica o dilema: como fazer o aluno encarar a educação em tempo integral quando nem mesmo consegue continuar os estudos? Respostas possíveis certamente passam pelo fim dos gargalos estruturais da desigualdade social. E também por propostas de ensino mais atraentes e conectadas com a realidade desses jovens.
O Censo Escolar 2017 mostra que, nacionalmente, houve um aumento ínfimo, de 1,5 ponto percentual, no total de adolescentes com jornada de sete horas nas escolas em relação ao ano anterior. Com isso, passou-se a ter 7,9% dos alunos do ensino médio do país nessa modalidade. Percentual que ainda fica distante da meta do governo federal, de abrir 13% de vagas integrais até o fim deste ano. A oferta, portanto, ainda é baixa na rede pública, mas desde 2016 o Ministério da Educação se comprometeu a pagar às redes estaduais R$ 2 mil por aluno do ensino médio que passe a ficar na escola sete horas por dia – o que inclui tempo em sala de aula e em atividades extraclasse.
No Espírito Santo, a educação integral no ensino médio é representada pela Escola Viva, com 17 unidades em funcionamento e promessa de mais 15 inauguradas em 2018. A expansão no ano passado foi significativa: em 2016, havia 1.541 vagas preenchidas; em 2017, esse número saltou para 4.122, segundo dados do mesmo censo divulgados em dezembro. Na comparação com o número total de matriculados no ensino médio no Estado no período, 98.783, fica claro que ainda há uma longa estrada a ser percorrida para a disseminação da educação integral. Investimentos são indispensáveis, mas estímulos também são importantes para convencer os jovens do poder transformador que a dedicação aos estudos pode proporcionar.