O projeto do Cais das Artes foi apresentado em outubro de 2007, no segundo mandato de Paulo Hartung à frente do governo do Estado. Passados 11 anos – uma gestão Renato Casagrande e outra Hartung – ele ainda não saiu totalmente do papel. E pode ser que fique assim pelos próximos quatro anos. Ao anunciar, ontem, mais membros da equipe que vai comandar o Executivo a partir do ano que vem, o socialista deixou claro que a “obra é polêmica, mas tem que ser terminada”. Quando? “Não sei”. E mais para frente emendou um “se a gente conseguir concluir o Cais das Artes na nossa gestão”.
A obra é tão encruada que talvez seja até melhor não se comprometer. Estava nas promessas do atual governador e, em meio a decisões judiciais e crise econômica, acabou na lista das não cumpridas.
Casagrande aproveitou para cunhar um trocadilho, do qual lançou mão mais de uma vez: “A cultura não está ancorada só no Cais das Artes”.
Entre os nomes anunciados pelo governador eleito está justamente o futuro titular da pasta de Cultura, Fabrício Noronha. Ele herda, assim, o centro cultural incompleto, que hoje é um esqueleto em plena Enseada do Suá, em Vitória. A ideia original é o espaço abrigar um teatro com capacidade para 1,3 mil pessoas, três mil metros de museu e ainda um auditório. “Terminar um equipamento daquele sem ter plano de gestão não é razoável”, avalia Noronha.
E o plano é bolar um plano. O próprio governador eleito apontou um possível caminho: colocar o Banestes na jogada. Foi nessa parte que apareceu o “se”: “Se a gente conseguir concluir o Cais das Artes na nossa gestão, terá a marca do Banestes lá”. Além do banco estadual, também haveria parcerias com o setor privado.
Uma nova licitação para a conclusão das obras chegou a ser ensaiada mas acabou suspensa recentemente para adequações técnicas.
Noronha diz que o projeto do Cais das Artes não tem que ir à frente só porque já começou, mas porque é importante para o segmento. “Com um modelo de gestão que tenha a iniciativa privada e a economia criativa, pode ser uma nave de convergência”.
Abrigo em Casa
O governador eleito Renato Casagrande reafirmou que não pretende “puxar” um deputado estadual eleito, ou reeleito, para o secretariado, mas não descarta fazer o mesmo com parlamentares estaduais derrotados nas urnas. Só que para o segundo escalão. Essas incorporações ocorreriam em fevereiro, após o fim da legislatura atual. Entre os cotados estão Sandro Locutor e Gilson Lopes, que não conseguiram chegar à Câmara.
Lá e cá
Outra coisa não descartada pelo socialista é um outro socialista no comando do Legislativo estadual. O correligionário Bruno Lamas é candidato ao posto. “Não descarto, mas também não confirmo”, ressaltou Casagrande.
Cardápio: futuro
Os deputados novatos eleitos para a Assembleia se reúnem hoje, pela terceira vez, para falar de seu futuro na Casa, o que passa invariavelmente por eleição da Mesa e formação de comissões. Dos 15, 11 já participaram das conversas. Meta: juntar ao menos mais dois.
Proposta recusável
Anunciado como futuro presidente da Cesan, Alcio de Araújo conta que foi convidado também por Paulo Hartung, no início do atual mandato, para ser titular da Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger), mas declinou. Ele também chegou a chefiar a Seger no mandato anterior de Casagrande, administração que esteve no centro das críticas de Hartung na campanha de 2014. Daí, ainda de acordo com Araújo, a incompatibilidade para aceitar o convite. Além disso, ele estava morando fora do Estado na época.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.