Quando a origem é conhecida, o prazer em consumir é ainda maior. É o que acontece com o café produzido no Espírito Santo. O foco é a alta qualidade. Conquistou reconhecimento internacional, obviamente refletido no preço.
O grão recheado de virtudes pode valer ouro na mão do produtor. O café orgânico colhido em Domingos Martins foi vendido no final de 2017 a R$ 39 mil a saca de 60 kg, o maior valor pago no mundo por esse tipo de mercadoria. Com isso, o Brasil – não só o Espírito Santo – rompe importante paradigma. O país que mais produz e exporta café e o Estado que é o segundo no ranking dos produtores fortalecem suas imagens no mercado global.
O avanço na qualidade é uma reviravolta histórica. Em 1962, o Grupo Executivo de Racionalização da Cafeicultura (Gerca), criado pelo do Instituto Brasileiro do Café (IBC), determinou a erradicação dos cafezais de baixa produtividade, considerados antieconômicos, e o Espírito Santo foi a região mais impactada do país. Não tinha indústria forte para evitar o desabar da economia sem a principal fonte de riqueza do campo.
Hoje estamos na era da qualidade. Tanto do arábica quanto do conilon. Resulta de aprimoramento constante de técnicas de produção e processamento dos grãos nas propriedades capixabas. E elas registram elevada produtividade. O padrão diferenciado está presente tanto nas grandes fazendas e também é seguido com rigor por pequenos agricultores.
O café tem importância vital para a dinâmica do Estado. Gera ganho financeiro para mais de 400 mil pessoas, brota em cerca de 70 municípios e responde por quase a metade (cerca de 44%) da renda bruta do campo. E a oferta de grãos de alta qualidade cria novas esperanças: pesquisas estimam crescimento de 18% no consumo mundial de cafés especiais em 2018.