Filiados ao PSB, o governador eleito Renato Casagrande e o atual governador, não reeleito, do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, têm feito uma espécie de intercâmbio político, detectado por sinais que vêm desde 2015. Naquele ano, Rollemberg estava no início do mandato e Casagrande, na planície. Assim, o ex-governador do Espírito Santo passou a integrar o conselho de administração do Banco de Brasília (BRB) e lá ficou até agosto de 2018. Pela participação, recebia R$ 8,7 mil mensais.
Casagrande havia tentado a reeleição em 2014 e perdido para um candidato do MDB, Paulo Hartung. Já Rollemberg ascendia ao comando do Executivo após passar, assim como o futuro governador capixaba, pela Câmara e pelo Senado.
Damasceno
Para o governo do DF foi “exportado” o ex-secretário de Transportes e Obras Públicas do Espírito Santo (Setop), Fábio Damasceno. Então filiado ao MDB, ele ingressou no PSB em 2014. Foi para lá também Léo Carlos Cruz, ex-diretor-presidente da Ceturb. Enquanto Damasceno tornou-se secretário de Mobilidade, Cruz foi para o DFTrans. Agora os papéis se invertem. Casagrande está prestes a voltar ao governo enquanto Rollemberg vive o último mês no comando do Executivo após perder a reeleição para um emedebista, Ibaneis Rocha.
Vasco
No último dia 21, o governador eleito anunciou que Damasceno, direto de Brasília, será, mais uma vez, o titular da Setop. Já o presidente do Banestes, como divulgado em coletiva na última terça-feira, será o atual presidente do BRB, Vasco Cunha Gonçalves.
Para completar, Casagrande hoje é presidente licenciado da Fundação João Mangabeira, entidade de formação do PSB. Nos bastidores do Distrito Federal ventila-se que Rollemberg pode ocupar o posto a partir do ano que vem.
Cruz
Já Léo Carlos Cruz foi exonerado pelo governador do Distrito Federal da direção geral do DFTrans em março deste ano após a Polícia Civil cumprir mandado de busca e apreensão na casa dele, durante a Operação Trickster, que apontou fraudes no sistema de bilhetagem automática. Damasceno diz que nem tem notícias sobre Cruz e que ele não deve voltar a atuar no governo do Espírito Santo.
Aposentadoria?
Uma pessoa próxima ao ex-prefeito de Vitória João Coser diz que o petista já não tem pretensão de disputar eleições e, se o fez em outubro passado, foi mais para fortalecer a chapa, puro-sangue, e ajudar a eleger Helder Salomão à Câmara. Outra candidatura pontual como essa não está descartada, mas Coser estaria “se aposentando aos poucos”.
Plano
Procurado pela coluna, Coser diz que ainda não “pendurou as chuteiras”. E contou os planos (veja bem, do partido) para 2020: “Todo nosso foco agora vai ser para conseguirmos eleger vereadores e disputar prefeituras do máximo de municípios possível. Não temos nomes para cidades grandes, mas temos capacidade de disputar menores”.
Civilidade
Por falar em PT, Iriny Lopes, de perfil combativo, terá de conviver com o PSL de Jair Bolsonaro, antagonista no cenário nacional, como maior bancada na Assembleia. “A relação (com os quatro deputados do PSL), da minha parte, será de respeito porque tenho civilidade. Mas somos opostos em pontos centrais. Somos oposição ao governo eleito (de Bolsonaro). Nenhum Estado teocrático deu certo no mundo”, diz a deputada eleita.
De fora
Iriny é uma das poucas (somada a Capitão Assumção e Torino Marques) que ainda não se juntou ao grupo de “novatos” que tem se reunido. “Se eu for convidada, irei lá. Mas o mais importante não é ser deputado eleito ou reeleito, mas se orientar pela posição da bancada. Infelizmente, essa bancada serei eu comigo”.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.