Acho que sei o que o folclórico Neném Prancha, técnico de futebol nas areias de Copacabana, teria ensinado aos jogadores da Seleção Brasileira, e que todo mundo já sabe: “Bola dentro da área é do goleiro”. Entre outras coisas, captei a observação do brilhante Paulo Sérgio, em A GAZETA, a respeito dos canarinhos: medo de errar e, portanto, falta de iniciativa”. Perfeito.
Pois bem, os nossos melhores jogadores foram tomados de uma apatia à beira da psicose. Nossa Senhora da Penha nos proteja, mas foi essa exata síndrome que atacou o Brasil no tristemente célebre 7 a 1: paralisia geral idiopática, isto é, sem motivo. Neném Prancha teria ensinado o que dizia aos seus jogadores quando este ataque de medo acovardasse o time, composto em grande parte da plebe rude: “Vai na bola como se fosse um prato de feijão”. Ou adaptando: “Sai na bola como se fosse um contrato milionário no Japão”.
É preciso ser muito ingênuo para achar que os gringos iam mostrar o ouro durante as peladas pré-Copa. Nós temos uma estranha vocação para adivinhar, assim sem pensar. Senão vejamos.
Até certa época os jogadores não saíam do país, pleno de campeonatos nacionais: Carioca, Paulista, Rio, São Paulo, Mineiro e por aí vai. Os jogadores tupiniquins passavam o ano se conhecendo de um jeito ou de outro. Isto é, treinando. Agora, isso só acontece em equipes fora do Brasil, ainda por cima recheadas de brasileiros, mal saídos do ovo. O vil metal vai acabar com o futebol neste país.
Existe, sim senhora, jogadores fenomenais, como Neymar Blond, Messi, Cristiano Ronaldo, e poucos outros. Mas são, como se diz, excepcionais, de exceção. Parecem viver fora da Terra, do ar. Repararam no Leonel durante as partidas? Ele nem presta atenção no jogo. Fica andando a esmo olhando a grama, arranca umas folhas do chão... De repente, cola a bola no pé, dá uma arrancada e faz ou faz fazerem o gol.
Mas não são suficientes, especialmente quando não fazem milagres, o que, às vezes, acontece.
Daqui a pouco, lá estou de novo à espreita de mais um milagre grudado na TV e falando com os jogadores, por exemplo os conselhos de Nelson Rodrigues: “Sem sofrimento, não se merece um mísero escanteio”.
Apelo às formosas e famosas lindas mulheres apaixonadas por jogadores de futebol para dar uma força ao esporte nacional, já que são vítimas de línguas de trapo que não reconhecem o amor delas pelos craques. Aproveito para pedir que contemplem também o Madureira, o Bangu, o São Cristóvão, o Canto do Rio.... E last, but not the least, meu querido América.
*O autor é médico psiquiatra, psicanalista e jornalista