O Espírito Santo acordou nesta quarta-feira (7) com mais um acidente com uma carreta de transporte de granito, desta vez no quilômetro 215 da BR 101, em Ibiraçu. Por muito pouco, não assistimos a uma nova tragédia, já que um ônibus que trafegava logo atrás só escapou devido à rápida reação do motorista.
Embora ainda não seja possível apontar a causa do ocorrido - e independentemente dela -, é impossível não se indignar com a cena de um imenso bloco de pedra se desprendendo do veículo. Felizmente, não houve vítimas neste último caso, mas os capixabas não deveriam ter que contar com a sorte em assunto tão sério.
O histórico do Estado nessa seara é desolador. Em 2017, apenas dois acidentes envolvendo transporte de rochas ornamentais deixaram mais de 30 mortos. A situação se torna ainda mais alarmante diante do flagra, divulgado em primeira mão pelo Gazeta Online na semana passada, de dezenas de caminhões furando a pesagem do Dnit. Essa ação criminosa, como apontou o próprio superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Espírito Santo, Willis Lyra, resulta em risco gigantesco para quem trafega pelo Estado.
O desprezo pela legislação é assustador. Na última sexta-feira (9), uma carreta foi surpreendida transportando nada menos do que 42 toneladas a mais do que o limite permitido. Nesse cenário, ninguém escapa da responsabilidade: os governos, por meio de órgãos como Dnit e PRF, devem ser mais firmes na regulação e na fiscalização; as empresas não podem se furtar da incumbência de controlar o transporte de suas mercadorias, em vez de transferir a culpa para motoristas autônomos; por sua vez, aos motoristas, tanto das carretas quanto dos demais veículos, cabe o compromisso como uma direção segura. O trânsito, afinal, é resultado de nossas ações.