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Gabriel Tebaldi

Tragédia no museu é o retrato do aparelhamento do Estado

É urgente que a gestão do patrimônio seja pensada com a iniciativa privada e tratada com gestão profissional

Publicado em 06 de Setembro de 2018 às 20:22

Públicado em 

06 set 2018 às 20:22

Colunista

Na semana da Independência do Brasil, parte de nosso passado virou cinzas, vítima de uma sociedade inerte e de um sistema estatal feito para o fracasso. Lamentavelmente, porém, a tragédia no Museu Nacional não surpreende.
Segundo o Ministério da Educação, entre 2014 e 2017, os gastos do Tesouro com a UFRJ saltaram de R$ 2,6 bilhões para R$ 3,1 bi. Tais R$ 500 milhões a mais, porém, serviram tão somente para sustentar a elite de servidores federais ativos e aposentados da universidade: os custos com pessoal saíram de R$ 2,1 bi em 2014, para R$ 2,6 bi em 2017.
Enquanto o funcionalismo público cresceu, os repasses de investimentos caíram e o museu sofreu o mesmo: de R$ 676 mil em 2014, para R$ 452 mil em 2017. A tragédia nos remonta o aparelhamento estatal construído nos últimos 15 anos no país. Formou-se uma casta de privilegiados, financeiramente imunes a crises, em detrimento dos investimentos essenciais à nação.
A tragédia nos remonta o aparelhamento estatal construído nos últimos 15 anos no país. Formou-se uma casta de privilegiados, financeiramente imunes a crises
Vivemos, pois, uma tragédia anunciada. E o centro do problema está na insistência pela gestão pública estatal. Alexander Kellner, diretor do museu, é especialista em pterossauros; a vice, Cristiana Serejo, é, também, das Ciências Biológicas; a diretora adjunta Lygia Fernandes atua com embriologia e anatomia floral; já o hoje adjunto e ex-diretor Luiz Duarte é antropólogo. Nenhum administrador; ninguém do mercado. Todos acadêmicos da UFRJ.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, 35% das receitas dos museus provém de entidades privadas e pessoas físicas. Em 2017, tal fortuna chegou a US$ 19,5 bilhões. O segredo? Ao doar para um museu, a empresa e o cidadão podem obter até 50% de abatimento no Imposto de Renda. Além disso, os museus atuam com investimentos no mercado financeiro, obtendo, nele, 11% de suas receitas. Outros 35% provém de exposições e lojas. Apenas 19% depende do governo.
É urgente que a gestão do patrimônio seja pensada em parceria com a iniciativa privada e tratada com gestão profissional de mercado. Enquanto a administração de bens públicos for conduzida nos corredores sucateados de nossas universidades, assistiremos, apenas, ao desenrolar de uma história óbvia.

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