As investigações sobre a morte dos irmãos Joaquim e Kauã chegaram a um desfecho aterrador nesta quarta-feira (23), quando a força-tarefa que se dedicou ao caso divulgou que não há dúvidas de que o pastor George Alves estuprou, agrediu e ateou fogo nas duas crianças. Até que esse anúncio fosse feito, o caminho foi duro, comovente e laborioso, mesmo para investigadores experientes. “Para a perícia, foi um desafio particular”, declarou Fabrício Pelição, chefe do Departamento de Laboratório Forense.
Desde o dia 21 de abril, quando os meninos pereceram em um incêndio em Linhares, a tragédia ganhou enorme repercussão, e os capixabas acompanharam cada desdobramento da história. Dada a complexidade do fato e a exatidão exigida das investigações forenses, mais de 25 peritos se dedicaram à análise das evidências para montar o quebra-cabeça, que se revelou um crime estarrecedor.
Essa trama macabra entra para o infeliz rol de barbaridades cometidas contra crianças no Estado, como o
, que matou e concretou os filhos na parede do próprio apartamento, em Vila Velha, em 2000. Neste momento, em meio ao luto coletivo por Joaquim e Kauã e por todos os menores que enfrentam qualquer tipo de violência, é de se elogiar o esforço elucidativo da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros, que conduziram o caso com rigor, com acompanhamento do Ministério Público do Estado, para garantir a acurácia das provas. Deve tornar-se modelo de atuação.
As paixões que a morte das duas crianças suscitaram também provocaram uma série de ilações e condenações no território livre da internet. Neste caso específico, a opinião pública coincidiu com conclusões da Polícia Civil. Mas devemos manter em mente que nem sempre o veredicto virtual é justo, e as consequências de uma acusação infundada podem ser catastróficas. Em cenários conturbados como esse é que se atesta o papel imprescindível da imprensa em cobrar ações das autoridades, mas sem se antecipar aos elementos concretos, realizando sempre uma esmerada checagem dos fatos.