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Opinião da Gazeta

Tráfico impõe rotina impiedosa ao Morro da Piedade

Ainda sofrendo pela execução dos irmãos Damião e Ruan Reis, bairro volta a ser alvejada pelo descalabro da violência urbana com o assassinato de mais um jovem morador

Publicado em 30 de Maio de 2018 às 13:16

Públicado em 

30 mai 2018 às 13:16

Colunista

Morro da Piedade, em Vitória Crédito: Google Street View
Há dois meses, o Morro da Piedade, em Vitória, estava de luto pelos irmãos Damião e Ruan, jovens que tiveram suas vidas brutalmente ceifadas a poucos metros de casa, em março. Também estava de luto pela justiça. Esta anda desaparecida há tanto tempo do bairro que se presume morta, como denunciamos neste mesmo espaço. Até hoje ela não deu o ar da graça, apesar dos clamores.
Ainda sofrendo pelos assassinatos não solucionados e convivendo com a rotina impiedosa imposta pelo tráfico, a Piedade voltou a ser alvejada pelo descalabro da violência urbana e da indigência de direitos. Na noite de segunda-feira (28), um bando de cerca de 20 criminosos armados e encapuzados disparou dezenas de tiros a esmo, com o único propósito de promover o terror. E conseguiu. Esta nova tragédia tem nome e sobrenome: Lucas Teixeira Verli.
O jovem, de apenas 19 anos, foi atingido por mais de 15 disparos, enquanto jantava na varanda de sua casa. À luz do dia seguinte, foi possível ver o rastro deixado pela gangue. O tiroteio deixou marcas nas paredes das casas e no espírito de quem sobrevive ali. “Aqui era comunidade de alegria, samba e muitos jovens reunidos. Hoje não saímos de casa”, desabafou uma moradora.
A polícia ainda não tem nem sequer suspeitos. Neste primeiro momento, a situação pede ação rápida e tática dos investigadores, para que mais um crime não cai no limbo da Justiça. Mas a solução exige mais do que repressão. Diante das chacinas que o tráfico promove e da magnitude social do problema, é preciso dedicação às políticas públicas de combate à pobreza e à segregação socioespacial, especialmente nas áreas de educação e geração de emprego. Não é admissível que os moradores da Piedade vivam sob o temor diário da visita da morte para o jantar.

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