Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Todos os homens de Hartung
Praça Oito

Todos os homens de Hartung

O parecer do TCES sobre as contas de 2013 de Luciano Rezende, pela aprovação com ressalvas, chegou à Comissão de Finanças da Câmara de Vitória

Publicado em 19 de Agosto de 2018 às 08:36

Públicado em 

19 ago 2018 às 08:36
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Charge domingo (19) Crédito: Amarildo
Grande enxadrista político, Paulo Hartung (MDB) fez um movimento arriscadíssimo ao decidir não se lançar candidato à reeleição. Agora, sabe que é o momento de jogar na defesa. O governador está agindo em duas frentes, para reposicionar as peças de seu exército de modo a blindar o rei, isto é, a si mesmo.
Em um flanco do tabuleiro, prepara a sua defesa no âmbito do debate eleitoral. Ao mesmo tempo, realinha peças estratégicas de sua tropa na esfera político-administrativa, ou seja, na composição da sua equipe de governo.
No embate eleitoral, Hartung conta com um soldado inesperado, mas que tem demonstrado disposição em ir à luta: Aridelmo Teixeira (PTB). No fim das contas, a tarefa de defender o atual governo e o legado de Hartung ficou a cargo exclusivamente do economista, jamais testado em eleições. Candidato-surpresa, o empresário e dono da Fucape Business School já deu todos os sinais de que não entrou na disputa a passeio. Pode até não conseguir muitos votos – e sua largada não é nada animadora, como indica a pesquisa Ibope publicada hoje em A GAZETA, na qual tem 1% das intenções de voto. Mas tudo leva a crer que, pelo menos, dará trabalho a Renato Casagrande (PSB) no decorrer do processo. E essa é, ao que parece, a sua principal missão.
Assinando como “Professor Aridelmo” – também é professor de Economia na já citada faculdade e por um triz não se tornou secretário de Educação de PH em junho –, o candidato do PTB tem gravado e distribuído, via redes sociais, uma série de vídeos curtos nos quais exprime um objetivo claro: rebater todas as falas e números usados por Casagrande na campanha que possam de alguma forma ir contra a atual administração.
Na convenção do PSB, em 4 de agosto, Casagrande assumiu o compromisso de seguir expandindo a educação em tempo integral no Espírito Santo. Disse, contudo, que “Escola Viva” não é senão o “nome de marketing” do programa do atual governo na área. A ponta do alfinete não mirou necessariamente Aridelmo, mas ele tomou as dores do atual governo, até porque esse é um ponto sensível para o candidato, entusiasta e divulgador do programa ao longo da atual gestão.
Poucos dias depois, o petebista gravou um vídeo para “responder” a Casagrande. Em uma sala de aula e com o auxílio de lousa e pincel atômico, expôs números de evolução da nota do ES no Ideb, atribuindo a melhoria ao Escola Viva.
Também na convenção do PSB, Casagrande mencionou ter deixado cerca de R$ 2 bilhões no caixa do Tesouro Estadual para Hartung, de 2014 para 2015. Parecemos regredir ao debate que tomou praticamente toda a primeira metade do atual governo. Na última segunda, Aridelmo rebateu a informação do ex-governador, afirmando que a conta certa é outra: descontando-se receitas já carimbadas ou comprometidas com restos a pagar, Casagrande na verdade teria deixado saldo negativo para o atual governo.
Em regra, sem citar Casagrande – fala de “um candidato aí” –, Aridelmo coloca em dúvida a capacidade do ex-governador como gestor. Tal como Hartung faria, se candidato fosse.
Como vemos, o duelo de narrativas iniciado lá atrás, na campanha de 2014, não terminou. A diferença é que Hartung não estará de corpo presente na campanha para defender sua visão dos fatos. O que não quer dizer que estará só, nem que o governo será saco de pancada, nem que ouvirá todas as críticas calado. Para isso Aridelmo se coloca de prontidão. Partirá dele o contraponto. E, se alguém ainda tinha alguma dúvida de o quanto o Palácio Anchieta está involucrado na campanha de Aridelmo, esta é derrubada com o fato novo divulgado pela coluna nos últimos dias: a presença de alguns agentes importantes do atual governo no comitê de campanha do candidato.
Time econômico do atual governo com Aridelmo Teixeira
Para começar, o coordenador do plano de governo de Aridelmo é ninguém menos que o atual secretário estadual da Fazenda, Bruno Funchal. Também não é pouco significativo o fato de que a ex-secretária da Fazenda de Hartung, Ana Paula Vescovi, tenha colaborado discretamente com a campanha, trocando ideias com Funchal e dando os seus pitacos sobre o plano de governo.
São técnicos apartidários, ok, mas extremamente identificados com a gestão de Hartung. Mais que isso: estamos falando dos dois economistas que dão lastro à política fiscal do atual governo (Ana Paula no 1º tempo, Funchal no 2º).
Também é emblemática a escolha da marqueteira que está no comando da campanha: ninguém menos que Bete Rodrigues. Não só porque foi ela quem assinou as campanhas vitoriosas de Hartung ao governo em 2002 e 2006. Mas, acima de tudo, por causa do notório perfil de Bete, conhecida por gostar de trabalhar com dados e por saber empacotá-los e usá-los na campanha a fim de desconstruir o discurso de adversários.
O entorno de Aridelmo, enfim, está povoado por antigos e atuais colaboradores importantes de Hartung. Habitado, portanto, pelo próprio governador, mesmo que sem a presença física dele no palanque.
Em paralelo, Hartung tem feito um movimento defensivo no xadrez político-administrativo, realocando em posições estratégicas algumas peças-chave de seu exército, como Octaciano Neto (PSDB), Paulo Roberto Ferreira (MDB) e Zé Carlinhos da Fonseca (PSD). É o que veremos mais detidamente amanhã.
ClamorES
Ricardo Ferraço (PSDB) não o quis, Amaro Neto (PRB) também não. Colnago (PSDB) tentou, sem sucesso. Sobrou Aridelmo. Perguntamos então ao petebista se ele se considera “o candidato do governo Paulo Hartung”. “Não sou o candidato do governo, mas um candidato alinhado ao governo. Minha candidatura veio do clamor das ruas, não do Palácio”, responde Aridelmo.
Defesa do legado
Perguntamos também a Aridelmo se ele é o candidato que defenderá o legado do atual governo. “Legado, na minha opinião, quem defende é o povo. Não tenho essa pretensão de me arrogar defesa de legado. O que tenho é alinhamento de posições. O atual governo é muito alinhado com a minha maneira de pensar.”
Discursos afinadinhos
A resposta é muito parecida com a dada pelo próprio Hartung, em entrevista coletiva, logo depois de anunciar a sua não candidatura: “O legado na vida moderna é defendido pelo povo. Não tem essa história de que um legado precisa de uma continuidade para ser defendido”.
Rose: “É até injusto”
Também Rose de Freitas se esquivou de assumir a condição de “candidata do governo”, ainda que de modo lisonjeiro para Hartung. “Acho até impróprio. O que o Paulo fez está avalizado, está destacado em todos os jornais. Publicamente, várias pessoas falaram do equilíbrio econômico do Estado. Então eu não preciso defender o que está óbvio, o que todos viram. O que digo é que quero avançar nas políticas sociais. Acho até injusto quando parece que precisa que alguém defenda aquilo que toda a população sabe. É como se ele precisasse de alguém para falar sobre ele. Tem a notoriedade da sua própria administração equilibrada financeiramente”, disse Rose, no dia 1º de agosto.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Polícia Civil faz operação contra grupo ligado ao TCP em Vitória
Operação Expurgo mira integrantes do TCP e cumpre mandados em Vitória
Imagem de destaque
Hayden Panettiere: o que se sabe sobre a morte da atriz de 'Heroes' aos 36 anos
Imagem de destaque
Se Pablo Marçal está inelegível por 8 anos, por que foi anunciado como candidato à Presidência?

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados