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Política

Todos odeiam corrupção, mas têm seu corrupto favorito

Há um paradoxo na medida em que o criminoso comum se transforma num perseguido político ou vítima de perseguição direitista encabeçada por Moro

Publicado em 20 de Abril de 2018 às 22:58

Públicado em 

20 abr 2018 às 22:58

Colunista

Lula e Meu Malvado Favorito
Roberto Ferreira Junior*
A prisão de Lula trouxe um paradoxo na interpretação da corrupção. No Brasil, parece que todos odeiam a corrupção, porém, cada cidadão possui seu corrupto favorito. As manifestações de indignação dos apoiadores do ex-presidente, tanto nas ruas quanto nas redes sociais, evidenciam esse paradoxo na medida em que o criminoso comum se transforma em um perseguido político ou vítima de uma perseguição direitista encabeçada pelo juiz Sérgio Moro.
É natural que pessoas criem laços emocionais profundos com outras pessoas, com partidos políticos e até mesmo com times de futebol. Não há nada de errado nisso. Contudo, não podemos deixar que esses laços impeçam nossa capacidade de discernimento – independentemente se essas paixões sejam pessoais, partidárias ou mesmo ideológicas.
Não podemos deixar que esses laços emocionais impeçam nossa capacidade de discernimento – independentemente se essas paixões sejam pessoais, partidárias ou mesmo ideológicas
Em um contexto político-partidário, por exemplo, ficamos facilmente nas mãos de candidatos populistas e demagogos, pois recusamos acreditar que possuam falhas mesmo que estrondosas evidências sejam visíveis. É como se todos pudessem olhar as falhas do outro, mas preferissem não ver.
A explicação mais plausível para isso reside na dificuldade de admitir que se nossos favoritos falharam é porque nós também falhamos, na medida em que avaliamos mal ou depositamos nossas esperanças em alguém que não podíamos confiar. Na maioria das vezes, preferimos fechar os olhos e nos aliarmos a aqueles que sempre falaram o que quisemos ouvir. É inconcebível ver pessoas tão inteligentes, críticas à corrupção e toda ordem de demagogia e populismo se deixarem enganar justamente por políticos que há tempos vêm mostrando quem são; praticando os mesmos crimes, ano após ano, diante de todos. O pior é que, a cada manifestação em favor de Lula, vemos mais pessoas dignas perderem deliberadamente suas capacidades de visão. Temos que parar com esse favoritismo cego.
*O autor é professor de Literatura em Língua Inglesa da Ufes
 

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