A filha de Edna Barretto Santos, mulher morta a facadas por um vizinho na Serra, agora é órfã de pai e de mãe. Isso porque, em 2021, a menina também perdeu o pai assassinado. De acordo com a tia da criança, a garota, de 5 anos, fazia acompanhamento psicológico desde que o pai se foi. Até a tarde desta quinta-feira (16), ela ainda não sabia sobre o crime brutal que aconteceu no bairro Feu Rosa, nesta quarta-feira (15), quando o vizinho atacou e deu seis facadas em Edna.
A irmã de Edna pediu para não ser identificada, mas disse à reportagem de A Gazeta que a sobrinha passava por tratamento por não aceitar a morte do pai. Desde 2021, Edna morava sozinha com a filha, e as duas eram muito apegadas.
"A menina (filha de Edna) não sabe ainda que a mãe morreu, não pode contar porque ela entra em desespero, porque ela não vive sem a mãe dela, não fica dez minutos sem a mãe dela", afirmou a irmã de Edna.
O crime
Edna Barretto Santos, de 36 anos, foi atacada e morta a facadas por Gabriel Felipe Campos, de 28 anos, dentro do apartamento dele, na tarde de quarta-feira (15), em Feu Rosa, na Serra.
A irmã contou que soube do caso quando a sobrinha ligou para ela perguntando da mãe. "Perguntei onde a minha sobrinha estava e ela disse: ‘Estou com a minha avó’. E eu disse que ela (irmã) estaria trabalhando, porque fez uma entrevista e pedi para falar com a avó", relembrou.
A sogra de Edna contou por telefone que a vítima não estava trabalhando e não foi buscar a criança após as aulas durante a tarde. "Quando cheguei na esquina (da casa da irmã) já tinha um monte de polícia, o Samu e já torci para não ser ela. Falei: ‘Não, tomara que não seja na casa dela’ e, quando virei, era em frente a casa dela.
Vizinho atraiu Edna
De acordo com apuração do repórter Eduardo Dias, da TV Gazeta, o crime aconteceu em um prédio residencial. Testemunhas contaram que Edna morava no terceiro andar, e o suspeito no primeiro.
Para atraí-la, ele pediu ajuda, dizendo que a esposa estava passando mal. Quando ela entrou para tentar prestar algum auxílio, foi capturada e levou seis facadas.
Após fazer a primeira vítima, o suspeito chamou uma vizinha do segundo andar, também com a história de que a esposa estava passando mal. Quando ela chegou na porta, ele a puxou pelo pescoço, mas a moça conseguiu escapar e gritou por ajuda. Ainda segundo testemunhas, quando a segunda vítima pediu socorro a vizinhos, o suspeito se trancou em casa e tomou vários remédios.
Por nota, a Polícia Militar informou que os militares conseguiram acessar o interior da residência por uma janela e visualizaram em cima de uma cama o corpo da mulher, ensanguentado.
"Já o homem estava caído no chão desacordado e com vários remédios ao lado do corpo e pinos de cocaína. No local, foram apreendidas uma faca e uma tesoura, também sujas de sangue", disse a corporação. O suspeito foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu/192) até um hospital da região.
Ainda de acordo com a Polícia Militar, o Samu atestou o óbito da mulher de 36 anos e socorreu o acusado para o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, sob escolta. A corporação informou que testemunhas relataram que populares teriam agredido o acusado, que retornou para o interior do imóvel, onde foi encontrado desacordado. A perícia foi acionada e a ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil.
A Polícia Civil informou que o suspeito de 28 anos foi autuado em flagrante por "homicídio qualificado mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou impossibilite a defesa do ofendido, cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino (feminicídio) e tentativa de homicídio qualificada por motivo fútil, cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino (tentativa de feminicídio)".
Ele segue internado sob escolta no hospital e será encaminhado ao sistema prisional assim que receber alta médica, segundo a corporação. A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) afirmou, na tarde desta quinta, que Gabriel continuava internado sob escolta.