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Pacote federal

Novo teto do MEI vai beneficiar mais de 340 mil empreendedores no ES

Com mudança do teto para até R$ 140 mil e perdão de dívidas, pacote promete dar fôlego à categoria no Estado

Publicado em 19 de Outubro de 2026 às 19:32

Guilherme Marques

Publicado em 

19 out 2026 às 19:32
Projeto aprovado no Congresso eleva o teto de faturamento do MEI e perdoa dívidas federais
Plataforma do governo para MEIs: mudanças na contribuição e perdão de dívidas
Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Mais de 341 mil microempreendedores individuais (MEIs) ativos no Espírito Santo devem ser beneficiados com uma série de mudanças que vão elevar o teto da receita e perdoar dívidas da categoria, segundo estimativa do Sebrae-ES. 

Aprovado pelo Congresso na última semana, o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 186/2026 aumentará o limite das receitas desses empreendedores para R$ 110 mil em 2027 e para R$ 140 mil em 2028, e deve dar novo fôlego ao comércio e ao setor de serviços do Estado. Essa é a expectativa do presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Espírito Santo (CRC-ES), Walterleno Maifrede Noronha, com a implementação da proposta, a ser sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

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Segundo o dirigente, a atualização era necessária, pois o valor atual, em vigor desde 2018, causou perda do poder de compra com a inflação e passou a restringir o faturamento das empresas. No entanto, avaliou, as cifras aprovadas poderiam ser mais altas para impulsionar um crescimento mais sólido do segmento.

O teto estava totalmente defasado. Os
R$ 81 mil fixados em 2018 não têm o mesmo valor de hoje, devido à inflação e à alta de preços, o que vinha travando o crescimento das empresas. A alteração desse limite é fundamental, mas o ideal seria que o governo ampliasse para R$ 140 mil de imediato, pela facilidade com que esse teto é atingido atualmente. A partir daí, poderíamos avançar para R$ 162 mil em 2028, o que representaria o dobro do limite atual”

Walterleno Maifrede Noronha, presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Espírito Santo (CRC-ES)

Os principais beneficiados, segundo Noronha, tendem a ser prestadores de serviços e pequenos comerciantes, que concentram boa parte dos MEIs capixabas. Entre eles estão profissionais de beleza e estética, alimentação, reparos, transporte por aplicativo e pequenos produtores, atividades que podem chegar rapidamente ao limite atual de faturamento.
O presidente do CRC-ES não vê grandes diferenças regionais no perfil dos negócios. O que muda, de acordo com ele, é a rapidez no acesso à informação na Grande Vitória, onde se concentram as instituições e a maior quantidade de MEIs. Ainda assim, Noronha afirma que o impacto da medida deve alcançar o Estado como um todo.
Perdão de dívidas
O pacote do governo federal também prevê o perdão de dívidas, mas, de acordo com o contador, é preciso entender o alcance da proposta. Noronha explca que o perdão do governo federal é focado na guia mensal (DAS — Documento de Arrecadação do Simples Nacional), de cerca de R$ 82, um valor por ele considerado irrisório para resolver sozinho a situação financeira de uma empresa. 
“O verdadeiro diferencial é o pacote completo: o Desenrola para o MEI, que vai permitir negociar até 90% das dívidas privadas (como contas de luz, gás, bancos e fornecedores), somado ao aporte de até R$ 5 mil pelo Pix MEI. Unindo o perdão da guia com a renegociação bancária e o crédito, aí sim o auxílio faz sentido e traz vantagens reais para o empreendedor limpar o nome", ressalta o especialista.
Apesar disso, o dirigente alerta que o empreendedor não deve antecipar decisões. Até janeiro de 2027, valem as regras atuais, e quem ultrapassar o limite de R$ 81 mil confiando no novo teto pode ser desenquadrado e cobrado retroativamente.
Alerta contra golpes
Outro alerta do CRC-ES é em relação aos golpes. Noronha cita algumas dicas de segurança contra essas armadilhas. Entre as orientações dadas pelo dirigente, estão: 

  • não pagar a intermediários que prometam garantir o perdão; 

  • não clicar em links suspeitos; e

  • usar apenas os canais oficiais, como o Portal do Empreendedor e a Receita Federal.

Percebemos que, sempre que saem matérias e anúncios sobre o assunto, golpistas e empresas tentam se aproveitar para obter vantagens. O MEI deve ficar muito atento para não clicar em links indevidos ou suspeitos. Em caso de dúvida, consulte um profissional da sua confiança para avaliar o melhor cenário para o seu negócio

Walterleno Maifrede Noronha, presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Espírito Santo (CRC-ES)

Para o dirigente, o segredo agora é o planejamento. “O primeiro passo é aguardar a sanção da lei mantendo a organização financeira e o pagamento regular dos impostos atuais. É o momento de arrumar a casa e se preparar para os novos cenários. Assim, quando as medidas entrarem em vigor, o empreendedor estará pronto para aproveitar o perdão de dívidas e todos os benefícios do pacote”, finaliza Noronha.

Relembre a tramitação

A aprovação do PLP 186/2026 encerra um hiato de oito anos sem reajustes no limite de faturamento do microempreendedor individual (MEI). Travado em R$ 81 mil desde 2018, o teto da categoria vinha sendo apontado por entidades do comércio e serviços como um obstáculo ao crescimento dos pequenos negócios no país. O avanço da matéria em Brasília ocorreu sob forte apoio articulado no Congresso e rápida votação nas duas Casas Legislativas.

A proposta ganhou tração no último dia 14 de outubro, quando foi levada ao plenário da Câmara dos Deputados. Sob relatoria do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), o texto-base foi aprovado por ampla maioria: 461 votos favoráveis e apenas quatro contrários.

Durante as negociações na Câmara, o projeto original que alterava as faixas de faturamento foi anexado a medidas do Poder Executivo. O texto final incorporou o perdão de tributos federais vencidos e a ampliação da cota de contratação, permitindo que o microempreendedor passe a ter até dois empregados formalizados.

Em menos de 24 horas após a votação pelos deputados, o projeto seguiu para apreciação do Senado Federal em rito de urgência. Já na quinta-feira (15), o Senado aprovou por unanimidade o texto, com 78 votos a favor e nenhum contrário.

Como não houve alterações feitas pelo Senado, a proposta não precisou retornar para à Câmara, seguindo diretamente para a sanção da presidência. Segundo o governo federal, o impacto orçamentário estimado do perdão de débitos é de R$ 3 bilhões nos próximos três anos.

Este conteúdo foi produzido por Guilherme Marques, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação da editora Andreia Pegoretti.

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