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BEATRIZ SEIXAS

Supermercados: crescer para não desaparecer

Com a crise econômica, o elevado desemprego, a queda da renda, a inflação alta e a perda do poder de compra, brasileiros tiveram que cortar despesas e passaram a adquirir o básico

Publicado em 22 de Dezembro de 2018 às 20:38

Públicado em 

22 dez 2018 às 20:38
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas Beatriz Seixas
Crédito: paulbr75 | Pixabay
Nesses dias que antecedem o Natal e o ano-novo, o que vemos são supermercados lotados e filas que parecem não ter fim. Os carrinhos estão bem abastecidos e, em geral, carregam produtos de valores bem mais altos do que itens da cesta básica que mensalmente levam grande parte dos consumidores às compras. Esse retrato de fartura, tanto para clientes quanto para empresários, entretanto, não faz jus ao que as famílias e o segmento enfrentaram nos últimos anos.
Com a crise econômica, o elevado desemprego, a queda da renda, a inflação alta e a perda do poder de compra, brasileiros tiveram que cortar despesas e passaram a adquirir o básico. A consequência foi uma redução do volume de vendas e, portanto, dos resultados para os supermercadistas, que dispensaram profissionais, enxugaram custos e até mudaram o leque de produtos que, sem grande demanda, acabava encalhando nas prateleiras.
Esse quadro pessimista, porém, começou a ser deixado para trás ao longo deste ano e as perspectivas para o próximo se mostram bem mais favoráveis. Não à toa, diversos projetos começaram a sair do papel e foram ganhando fôlego, a exemplo das unidades abertas por redes como Extrabom, Casagrande, Sempre Tem (Carone) e Mineirão Atacarejo (Epa), apenas para citar algumas.
Para o ano que vem, a previsão da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) é de que esse movimento continue e que sejam feitos investimentos em reformas e na abertura de cerca de dez unidades. Também está nas perspectivas da entidade ter um crescimento real de 3% nas vendas, um ponto percentual superior ao que o setor prevê fechar 2018.
Agora, é preciso deixar claro que a inauguração de lojas não está pautada exclusivamente na confiança de que a economia vai melhorar. De fato esse é o gatilho para que os empreendedores tirem da gaveta projetos que estavam sendo planejados quando a crise veio com tudo e interrompeu os planos. Mas ampliar o market share é também uma questão de estratégia e sobrevivência neste mercado.
O superintendente da Acaps, Hélio Schneider, explica que o segmento está com a concorrência cada vez mais acirrada, então, ganhar escala é uma forma de estar mais próximo dos consumidores e também de o empresário ter maior capacidade de negociação junto a fornecedores para assim oferecer preços menores e conquistar o cliente. “A competitividade está fazendo com que os supermercadistas não fiquem parados. Como a margem de lucro no setor é muito pequena, eles precisam vender mais para ter resultado. Por isso, as expansões que estamos vendo.”
É isso também que tem acontecido em outras áreas. Há alguns anos, o mercado capixaba já acompanha, por exemplo, como as grandes redes de farmácias têm engolido os negócios menores, tendência que não deve se limitar ao setor de saúde.
No caso dos supermercados, há um fato curioso porque nem sempre expandir negócios significa construir mega lojas. A ampliação do alcance também ganha força por meio das chamadas lojas de bairros. Não é bem um retorno ao antigo secos e molhados, mas esses estabelecimentos, que criam maior aproximação com a comunidade local, já são vistos pelos empreendedores como vetores de crescimento. Tanto é que, desde dezembro de 2017, a estratégia passou a ser adotada pela rede francesa Carrefour em bairros de São Paulo.
Outro foco dos donos de supermercados está no investimento em tecnologia, inovação e melhoria de processos, o que para o diretor do Carone, William Carone Junior, é pré-requisito para a saúde financeira dos negócios. Segundo ele, a filosofia de controle deve estar sempre presente e sendo aprimorada. “Mesmo na época de vacas gordas, nós sempre trabalhamos com controle de custos. Quando veio a crise, essa atuação ficou ainda mais forte. Afinal, a linha entre o lucro e o prejuízo é muito estreita no setor. Por isso, identificamos os ralos e fechamos eles.”
Aliado ao otimismo para a retomada econômica, às estratégias para sair na frente da concorrência e ao rigoroso acompanhamento de custos, os supermercados contarão no próximo ano com a possibilidade de abrir os estabelecimentos aos domingos, o que pode contribuir para incrementar as vendas.
Este, porém, ainda é um assunto sem consenso entre os empresários, e nem mesmo a Acaps arrisca dizer se valerá a pena abrir as portas depois de nove anos sem o funcionamento no primeiro dia da semana. Hélio Schneider diz esperar que seja vantajoso, mas pondera que só a partir de março, quando já terá acabado a alta temporada, será possível fazer essa análise. O que dá para afirmar sem erro é que a avaliação mais preciosa nesse contexto é a do consumidor, que é quem tem a força para fazer esse mercado girar.
Recado tá dado
Um empresário resumiu o sentimento da classe para o otimismo com o governo de Bolsonaro: “Não é que a gente seja a favor dele pura e simplesmente, mas tá todo mundo tão saturado e sem paciência que a torcida é para dar certo. Mas ele tem que mostrar a que veio nos 6 primeiros meses.”
Três em um
Tem produtor de cachaça no Espírito Santo que sabe bem aproveitar a “marvada”. Em um alambique de Linhares, o proprietário utiliza o que normalmente seria descartado para produzir itens de limpeza e até abastecer o carro. Um empreendedor nato!
Pasta engenhosa
Heber Resende, o escolhido de Casagrande para a Secretaria de Desenvolvimento, está mantendo a tradição dos últimos anos de um engenheiro à frente da pasta. Os três secretários anteriores (José Eduardo Azevedo, Nery de Rossi e Márcio Félix) também têm essa formação
DUTOS DO ES NA PRODUÇÃO DE PETRÓLEO
Dutos rígidos são resfriados durante processo de produção na fábrica da Shawcor Crédito: Divulgação | Shawcor
É de duas fábricas no Espírito Santo – Shawcor e TSA, elas são vizinhas na Serra – que vão sair as tubulações submarinas que vão ser usadas pela norueguesa Equinor para a produção de petróleo e gás na fase 2 do campo de Peregrino, na Bacia de Campos. As empresas estão produzindo 96 quilômetros de dutos rígidos que vão ser instalados pela Technip e interligados a uma nova plataforma, que começará a operar em 2020 no litoral fluminense.
O equipamento tem tecnologia de ponta e, para chegar ao seu resultado final, conta com mão de obra e materiais de diversas partes do mundo, como Alemanha e Escócia. No Brasil, há quatro Estados envolvidos diretamente na produção dos dutos (ES, RJ, SP e MG).
NA LATA
Nome: Maely Coelho
Empresa: MedSênior
No mercado: Há 9 anos
Negócio: Saúde
Atuação: Espírito Santo e Minas Gerais
Funcionários: 350
Economia: Está dando bons sinais para o próximo ano.
Pedra no sapato: O recente passado político-econômico vivido pelo Brasil.
Tenho vontade de fechar as portas quando: Nunca!
Solto fogos quando: Recebemos algum elogio de beneficiários do nosso plano e também quando vejo a economia melhorar.
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria...: O modelo trabalhista. Porque a gente paga muito para o profissional, mas o funcionário recebe pouco. O que acontece é que uma grande parte fica com o governo.
Minha empresa precisa evoluir em: Inteligência artificial.
Se começasse um novo negócio seria...: O mesmo. Voltaria a investir nessa área da saúde.
Futuro: A Deus pertence. Mas sempre vejo o futuro de um modo muito promissor.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro: O fundador da Ford, o americano Henry Ford. Ele não teve muita instrução, mas revolucionou a mecânica no mundo.

Beatriz Seixas

Beatriz Seixas Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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