Analisando as propostas de plataforma de governo dos candidatos à Presidência, podemos identificar uma série de ideias - aliás, mais ideias do que propostas objetivas -, que atendem praticamente a um amplo intervalo ideológico, bem como a várias leituras que embasam diagnósticos da grave crise pela qual passa o país. Para alguns deles, as soluções podem vir como num “passe de mágica”.
No entanto, ao que nos parece, não se está dando a devida importância, até pela gravidade da situação, sobretudo à fragilidade das finanças públicas, que não é somente atributo da União, mas de Estados e municípios.
Ou seja, sob o prisma da lógica do setor privado, o Estado brasileiro, num sentido amplo, estaria literalmente falido, ou seja, incapaz de honrar seus compromissos fundamentais. Somente se sustenta porque recorre sistematicamente ao endividamento, cujo ônus recai sobre todos nós, cidadãos.
O certo é que qualquer um dos candidatos que vença as eleições, ao assumir o mandato presidencial em janeiro, já de cara herdará um déficit geral que poderá chegar a R$ 160 bilhões
O certo é que qualquer um dos candidatos que vença as eleições, ao assumir o mandato presidencial em janeiro, já de cara herdará um déficit geral que poderá chegar a R$ 160 bilhões. Somente na Previdência, as projeções apontam para um “buraco” que poderá se aproximar de R$ 200 bilhões. Entrará, portanto, já praticamente “engessado” nas suas pretensões, ideias ou propostas de campanha.
Enquanto Bolsonaro propõe zerar o déficit em apenas uma ano, apostando em Paulo Guedes, seu MacGyver, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin acreditam que isso é possível em dois anos.
Estimativas feitas pelo próprio governo apontam que somente em 2022 o problema do déficit público seria normalizado, naturalmente desde que algumas medidas de grande impacto sejam efetivadas, sendo a reforma da Previdência a principal delas.
A proposta do PT é acreditar no que deu errado, sobretudo no governo de Dilma Rousseff, isto é, de que o crescimento da economia por si só resolveria o problema do déficit.
Esquece-se, porém, que a fragilidade atual da economia está exatamente no exagerado peso do déficit público e na ausência de sinalização mais clara para a sua solução no futuro.
O déficit funciona, nesse caso, como fator inibidor em relação ao desempenho futuro da economia. Ele condiciona e, ao mesmo tempo, trava investimentos produtivos.
O que nós eleitores temos que ter bem claro nas nossas mentes como crivo de avaliação é de que não existem soluções fáceis para problemas difíceis e complexos. E o que teremos pela frente são problemas difíceis e complexos a serem abordados e enfrentados em estruturas e circunstâncias políticas, institucionais e sociais reconhecidamente instáveis e imprevisíveis. O momento não é de se comprar ilusões.