Seja entendida como sentimento, união de simpatias, interesses ou propósitos entre os membros de um grupo, seja como responsabilidade recíproca ou ato de ajudar pessoas desamparadas, a solidariedade aflora com mais intensidade em momentos celebrativos ou em situações de calamidade pública. O Natal entre cristãos ou a passagem de ano entre ocidentais pode levar ao aguçamento desse sentimento.
O final de ano de todo calendário remete a gestos para suprir carências de alguns através da doação de alimentos, roupas e mimos para crianças e idosos. Na medida em que carências estruturais se ampliam, vale refletir sobre o que fazer para ter solidariedade enquanto processo incorporado às regras sociais e econômicas do país.
Ser solidário ao se aproximar a terceira década do século XXI deve estar inscrito como valor que se expressa na forma como os recursos públicos são distribuídos entre os mais carentes. Carentes de emprego e de renda para necessidades básicas em uma pátria rica como o Brasil precisam de solidariedade durante o ano todo.
Carentes de oportunidades por razões históricas merecem atitudes coletivas que preencham hiatos educacionais, de saúde, de moradia, de saneamento básico, transporte etc. entre os que têm e os que nunca tiveram. Quebrar ciclos viciosos de carências que as mantêm no presente e as perpetuam no futuro tem que ser visto como o gesto básico em sociedade que se quer solidária.
Solidariedade que está muito além de sentimento ligado à religião que for, ou ligado à data que se deseja celebrar. Solidariedade que ultrapasse em muito os gestos de filantropia; solidariedade que se baseie no princípio do que mais une a todos os humanos: a humanidade que habita cada ser.
Pensar relações sociais para além daquelas que se expressam segundo as chamadas regras do mercado é em si um ato de solidariedade voltada para o resgate de humanidade. Resgate para além de posses materiais e de acesso ao que de melhor o progresso econômico pode propiciar.
Parte da responsabilidade do resgate de solidariedade é delegada em regimes democráticos a governantes eleitos. Delegação que sob hipótese alguma prescinde da necessária vigilância para que direitos sociais sejam respeitados e valorizados.
Que a solidariedade que move gestos de irmandade no final do ano esteja presente durante todo o ano novo em pensamentos, palavras e obras de cada um e na cobrança que todos façam de ações dos democraticamente eleitos e que assumirão em janeiro.