
Maely Coelho*
Sabemos bem que a vida é feita de escolhas. Daquelas que tomamos a todo momento, sem nem perceber, e outras maiores, que podem impactar seriamente o rumo da nossa vida. Neste ano, temos mais uma vez uma importante decisão pela frente: eleger os representantes que irão governar o nosso país e o nosso Estado pelos próximos quatro anos.
Diante do cenário político que assistimos quase todos os dias nos noticiários, rapidamente constatamos que esta será uma escolha difícil, principalmente quando olhamos para o setor da saúde. Em uma pesquisa feita pelo Ibope Inteligência, a saúde foi apontada por 47% dos entrevistados como um dos principais problemas do Brasil em 2017. Já em outra, realizada pela Confederação Nacional da Indústria e pelo Ibope, 85% da população desaprovaram as políticas públicas de saúde.
E por que este cenário? A população continua padecendo em filas e esperando atendimento por anos, enquanto as doenças crônicas e agudas se alastram, assim como as urgências e emergências. Este é um assunto recorrente e que sempre volta nas eleições, mas que continua sem solução.
A população continua padecendo em filas e esperando atendimento por anos, enquanto as doenças crônicas e agudas se alastram, assim como as urgências e emergências. Este é um assunto recorrente e que sempre volta nas eleições, mas que continua sem solução
A certeza que temos é que a vida das pessoas não pode estar em segundo plano. É preciso investir para se ter saúde de qualidade para todos. E essa mudança que precisamos e desejamos começa nas urnas. Precisamos ter em mente que o nosso voto de hoje tem impacto na construção da nossa sociedade de amanhã. Por isso, depende, sim, de cada um de nós, buscar candidatos que vejam as necessidades de investimentos nessa área, que olhem e tenham compromisso com a população e tragam projetos que atendam às demandas reais.
Precisamos falar sobre financiamento apropriado para saúde pública, gestão adequada e com objetivos a pequeno, médio e longo prazos, saúde suplementar realista e judicialização dos serviços de saúde. Também é necessário olhar para os profissionais dessa área e pensar em condições adequadas para o exercício da profissão.
São muitos pontos que devem entrar no debate e sabemos que somente ao elegermos parlamentares de fato comprometidos com a saúde é que conseguiremos evoluir e ter melhorias reais na saúde pública. Decidir o nosso voto vai muito além de eleger um representante. É contribuir com uma sociedade mais justa e igualitária, onde todos têm acesso aos direitos garantidos pela Constituição brasileira.
*O autor é presidente do 6º Congresso Brasileiro Médico e Jurídico da Saúde (Comedjur)