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Beatriz Seixas

Setor de petróleo tem força, mas não pode esperar

Investimentos devem ser rápidos para que oportunidades não fiquem no fundo do mar

Publicado em 09 de Agosto de 2018 às 21:11

Públicado em 

09 ago 2018 às 21:11
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

O setor de petróleo e gás no Brasil tem números impressionantes para os próximos 10 anos. A previsão é que até 2027 sejam investidos US$ 281 bilhões, mais de 300 poços offshore sejam perfurados, 600 quilômetros de dutos sejam construídos e quase 40 unidades de produção, como navios e plataformas, passem a operar no litoral do país.
No Espírito Santo, essa cadeia também movimenta cifras bilionárias e é responsável por fatia importante dentro da carteira de investimentos programados para os próximos anos, como é o caso da Petrobras que até 2022 prevê, dentro do seu Plano de Negócios, investir R$ 10 bilhões no Estado.
A grande questão nesse setor é como não perder mais tempo e viabilizar a exploração e a produção dessa riqueza enquanto essa fonte de energia ainda é a mais demandada no mundo e se mostra competitiva frente a outras. Aliás, o país já perdeu, ao passar anos discutindo o marco regulatório do pré-sal e ao ter abandonado uma agenda regular de leilões, o melhor momento que poderia ter aproveitado, quando o preço do barril do petróleo ultrapassava a casa dos US$ 100. Hoje, ele está em torno de US$ 70.
Por isso, é comum entre empresas e especialistas da área o senso de urgência para que o Brasil não continue cometendo o mesmo erro e para que encontre caminhos que levem à redução do monopólio da Petrobras e à resolução de entraves regulatórios, ambientais e tributários. Todos esses pontos foram citados por executivos da Shell, Equinor (antiga Statoil), Petrobras e Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), na última quarta-feira, durante a conferência ES Oil & Gas, na Mec Show 2018.
Os representantes das petrolíferas – todas elas com atividades no Espírito Santo – chamaram a atenção para o fato de que a indústria de óleo e gás se planeja no médio e longo prazo. Do início de um projeto até ele estar apto comercialmente, por exemplo, leva-se de cinco a dez anos, o que requer, para eles, previsibilidade das regras em jogo.
“O Brasil vem se apresentando de forma competitiva para o mundo. Mas precisamos aproveitar as oportunidades. Caso contrário, essa janela vai se fechando cada vez mais”, ponderou Flávio Rodrigues, diretor de Relações com o Governo e Assuntos Regulatórios da Shell Brasil.
A fala de Rodrigues em relação a não perder o “timing” de oportunidades além de demonstrar a preocupação com o ambiente de negócios brasileiro indica o olhar que as maiores petrolíferas estão tendo para o setor energético. Elas já se deram conta do tamanho do desafio que têm pela frente, que é o de transformar seus negócios a partir da mudança de fontes energéticas.
Por um bom tempo, o petróleo ainda vai ser protagonista, mas isso não deve durar muito mais do que três a quatro décadas, que é quando haverá o pico de demanda. Daí em diante, fontes de energia renovável já passarão a ser estrelas no mercado, o que trará uma brusca mudança em relação ao interesse das empresas por campos petrolíferos e, consequentemente, no preço da commodity.
Os combustíveis fósseis que hoje são responsáveis por 75% da energia mundial, em 2050 vão representar 50% da oferta, segundo o secretário-executivo do IBP, Milton Costa Filho. Diante desse movimento, o portfólio de projetos das multinacionais já contemplam vários investimentos na área eólica e solar.
A nova estratégia desses players fica clara até em ações como a realizada recentemente pela norueguesa Statoil, que mudou seu nome para Equinor já atenta ao mundo pós-petróleo. “Não somos mais uma companhia só de óleo”, reforçou Mauro Andrade, vice-presidente de compras da companhia.
Os cenários estão dados e são bem claros. O potencial que o Brasil tem na área energética é indiscutível. Aproveitá-lo é só uma questão de boas e rápidas escolhas.
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SAFRA DE RESULTADOS
A boa safra do café conilon no primeiro semestre não deixou satisfeitos somente os produtores capixabas. Ela teve impacto também no segmento imobiliário. Gustavo Barbeitos, da Soma Urbanismo, loteadora que tem grande parte dos seus empreendimentos no Noroeste e Norte, está rindo à toa com o aumento de 32% nas vendas de unidades na comparação com o mesmo período de 2017.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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