Publicado em 3 de março de 2026 às 13:28
A violência contra a mulher é um problema histórico e estrutural no Brasil, presente em diferentes contextos sociais e econômicos. Estar em um relacionamento abusivo pode causar sérios danos à saúde física e mental, expondo a mulher a estresse constante, isolamento social, agressões físicas e, em casos extremos, até risco de morte. Segundo dados do Ministério das Mulheres, em 2024, o Brasil registrou 1.450 feminicídios, mostrando que a violência contra mulheres continua sendo um problema alarmante e urgente de enfrentar. >
“Os impactos de um relacionamento abusivo podem ser profundos e duradouros. Psicologicamente, a mulher pode desenvolver ansiedade, depressão, baixa autoestima , transtornos do sono e estresse pós-traumático. Fisicamente, o abuso pode evoluir para agressões mais graves, adoecimento psicossomático e risco à vida”, explica Marynara Melo, profissional da área de psicologia do AmorSaúde. >
Marynara Melo ressalta que um relacionamento abusivo gera riscos em diversas áreas da vida da mulher. “A violência pode ser emocional , moral, sexual, patrimonial e financeira. Isso inclui controlar o dinheiro, impedir a mulher de trabalhar, desvalorizá-la publicamente, forçar relações sexuais, ameaçar tirar filhos ou bens e restringir sua liberdade”, afirma. >
Segundo pesquisa doDataSenado, 3,7 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar no Brasil em 2025, incluindo agressões, insultos, humilhações e formas de hostilidade.“Todas essas formas de violência são igualmente graves e fazem parte de um ciclo de poder e controle”, alerta a psicóloga. Ela ressalta que não se deve ignorar nenhum tipo de ameaça ou controle. >
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De acordo com Marynara Melo, “os primeiros sinais de um relacionamento abusivo costumam ser sutis e, justamente por isso, muitas vezes são confundidos com cuidado ou amor excessivo “. Por isso, a psicóloga enumera alguns fatores que devem chamar a atenção: >
A psicóloga ainda explica que “alguns sinais menos evidentes incluem manipulação emocional , chantagem, gaslighting (quando o parceiro faz a mulher duvidar da própria percepção), desqualificação constante e silêncio punitivo”. >
A profissional cita sentimentos como medo, culpa, confusão emocional e perda da autoestima como sinais de um relacionamento abusivo. “Quanto mais cedo esses padrões são reconhecidos, maiores são as chances de interromper o ciclo antes que a violência se intensifique”, ela alerta. >
Sair de um relacionamento abusivo é essencial para garantir a própria saúde física e mental. “O primeiro passo é levar seus sentimentos a sério. Se algo machuca, constrange ou causa medo, não deve ser normalizado”, explica Marynara Melo. A psicóloga esclarece que, para sair de um relacionamento abusivo, é necessário buscar apoio, seja de familiares, amigos ou até de um psicólogo, e se informar sobre seus direitos. >
“Buscar apoio psicológico ajuda a fortalecer emocionalmente, resgatar a autoestima e compreender que o abuso não é culpa da vítima”, afirma. Outras opções de apoio incluem serviços especializados e informações sobre medidas legais de proteção. >
Sobre a terapia , a psicóloga explica que o processo para superar o relacionamento varia de acordo com cada pessoa. “A preparação psicológica envolve entender o ciclo da violência, trabalhar o medo, a culpa e a dependência emocional, e construir um plano seguro de saída. Cada mulher tem seu tempo, e respeitar esse processo é fundamental”, explica. >
Nesse momento, é necessário construir uma rede de apoio e buscar ajuda por meio de canais de denúncia, como a delegacia da mulher. “Evitar o isolamento é essencial, assim como planejar a própria segurança, especialmente se houver sinais de escalada da violência”, ressalta. >
Para denúncias e apoio em casos de violência contra a mulher, disque 180. A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um serviço de atendimento telefônico que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os finais de semana e feriados. Em casos de emergência, acione a Polícia Militar por meio do 190. >
Por Fellipe Gualberto >
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