Publicado em 19 de outubro de 2024 às 19:36
Pesquisadores fizeram uma descoberta científica que, com o tempo, poderá ser usada para retardar os sinais de envelhecimento.>
Uma equipe descobriu como o corpo humano cria pele a partir de células-tronco — e até reproduziu pequenas quantidades de pele em laboratório.>
A pesquisa faz parte de um estudo para entender como cada parte do corpo humano é criada, uma célula de cada vez.>
Além de combater o envelhecimento, as descobertas também poderiam ser usadas para produzir pele artificial para transplante e prevenir cicatrizes.>
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O projeto Atlas das Células Humanas é um dos programas de pesquisa mais ambiciosos na área de biologia. É internacional, mas está concentrado no Instituto Wellcome Sanger, em Cambridge, no Reino Unido.>
Uma das líderes do projeto, a pesquisadora Muzlifah Haniffa, afirmou que isso ajudaria os cientistas a tratar doenças de forma mais eficaz, mas também a encontrar novas maneiras de nos manter saudáveis por mais tempo — e, talvez, até nos manter com uma aparência mais jovem.>
"Se pudermos manipular a pele e evitar o envelhecimento, teremos menos rugas", diz Haniffa, do Instituto Wellcome Sanger.>
"Se conseguirmos entender como as células mudam desde seu desenvolvimento inicial até o envelhecimento na idade adulta, podemos então tentar dizer: 'Como posso rejuvenescer os órgãos, deixar o coração mais jovem, tornar a pele mais jovem?'">
Essa projeção ainda está longe de ser alcançada, mas os pesquisadores estão progredindo — mais recentemente, na compreensão de como as células da pele se desenvolvem no feto durante o estágio inicial de desenvolvimento da vida humana.>
Assim que um óvulo é fecundado, as células humanas são todas iguais. Mas, depois de três semanas, genes específicos dentro das chamadas "células-tronco" são ativados, passando instruções sobre como se especializar e se agrupar para formar as diversas partes do corpo.>
Os pesquisadores identificaram que genes são ativados em que momentos e em que lugares para formar o maior órgão do corpo, a pele.>
Sob o microscópio e tratados com substâncias químicas, se parecem com aquelas pequenas luzes decorativas usadas nas árvores de Natal.>
Os genes que ficam laranja formam a superfície da pele. Outros, de coloração amarela, determinam a sua cor. E há muitos outros que formam as outras estruturas que fazem crescer o cabelo, nos permitem suar e nos protegem do mundo exterior.>
Os pesquisadores obtiveram essencialmente o conjunto de instruções para criar a pele humana, e publicaram na revista científica Nature. Ser capaz de ler essas instruções abre possibilidades interessantes.>
Os cientistas já sabem, por exemplo, que a pele do feto cicatriza sem deixar cicatrizes.>
O novo conjunto de instruções contém detalhes de como isso acontece, e uma área de pesquisa poderia ser verificar se isso poderia ser replicado na pele adulta, possivelmente para uso em procedimentos cirúrgicos.>
Em um avanço importante, os cientistas descobriram que as células imunológicas desempenhavam um papel fundamental na formação de vasos sanguíneos na pele — e, em seguida, foram capazes de reproduzir as instruções relevantes em um laboratório.>
Eles usaram substâncias químicas para ativar e desativar os genes no momento certo e nos lugares certos para fazer a pele crescer artificialmente a partir de células-tronco.>
Até o momento, eles desenvolveram pequenas bolhas de pele, das quais brotaram pequenos pelos.>
De acordo com Haniffa, o objetivo final é aperfeiçoar a técnica.>
"Se você souber como criar pele humana, podemos usá-la em pacientes com queimaduras, e isso pode ser uma forma de transplantar tecidos", diz ela.>
"Outro exemplo é que, se você conseguir criar folículos capilares, vamos poder realmente gerar crescimento de cabelo em pessoas calvas.">
A pele do laboratório também pode ser usada para entender como as doenças de pele hereditárias se desenvolvem — e testar novos tratamentos em potencial.>
As instruções para ativar e desativar genes são enviadas por todo o embrião em desenvolvimento, e continuam após o nascimento até a idade adulta, para desenvolver todos os nossos diferentes órgãos e tecidos.>
O projeto Atlas das Células Humanas analisou 100 milhões de células de diferentes partes do corpo nos oito anos em que está em operação. Já produziu esboços de atlas do cérebro e do pulmão, e os pesquisadores estão trabalhando nos rins, no fígado e no coração.>
A próxima fase é reunir os atlas individuais, de acordo com Sarah Teichmann, professora da Universidade de Cambridge, que é uma das cientistas que fundou e lidera o consórcio Atlas das Células Humanas.>
"É incrivelmente emocionante porque está nos oferecendo novas perspectivas sobre fisiologia, anatomia, uma nova compreensão dos seres humanos", diz ela à BBC News.>
"Isso vai levar à reformulação dos livros didáticos em termos de nós mesmos, dos nossos tecidos e órgãos, e de como eles funcionam.">
As instruções genéticas sobre como outras partes do corpo crescem vão ser publicadas nas próximas semanas e meses — até que tenhamos uma visão mais completa de como os seres humanos são formados.>
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