Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Se Moro está preparado para o ministério? Ninguém está
Henrique Herkenhoff

Se Moro está preparado para o ministério? Ninguém está

Entregar o Ministério da Justiça a Sérgio Moro significa não abandoná-lo aos interesses corporativos e à visão de mundo enviesada de seus primeiros apoiadores

Publicado em 01 de Novembro de 2018 às 16:38

Públicado em 

01 nov 2018 às 16:38

Colunista

Henrique Herkenhoff*

Anunciado que o quase-ex-juiz federal Sérgio Moro pretende aceitar o cargo de Ministro da Justiça do próximo governo, logo surgem debates acalorados sobre dois temas secundários, enquanto os principais ficam de lado.

Alguns, muito natural, mas lastimavelmente, tentam sustentar a delirante tese de que o juiz, quatro ou cinco anos atrás, iniciou uma investigação já prevendo o impeachment da Presidente Dilma e de olho em participar do governo do mais improvável dos candidatos... A estes não direi nenhuma palavra. Estou concentrado em encontrar essa bola de cristal.

Outros, com mais razão, questionam o sacrifício pessoal que se lhe impõe – como, de resto, se impôs ao governador eleito do Rio de Janeiro: abrir mão não apenas de um salário muito mais alto, mas também da absoluta estabilidade da carreira na magistratura e de sua aposentadoria integral.

Tudo isso baseado não em uma proibição legal, mas na falta de uma autorização expressa. Juízes e promotores deste país são como aves em uma gaiola de ouro, condenados a décadas de uma rotina tediosa e estafante, cujo único escape é o magistério jurídico. Entretanto, podemos ficar despreocupados: ele é muito mais que apenas um corpinho bonito e jamais morrerá de fome. É isso: não há mais Cavaleiros Templários; Moro precisou decidir entre se tornar um guerreiro ou continuar um monge.

Mais importante, porém, são os destinos que começam a ser traçados para o país e a leitura do discurso contido nesse convite. Ao fazer a sua live logo após a eleição, Bolsonaro tinha em mão uma Bíblia, uma Constituição e... uma biografia de Churchill. Parece ter lido os três. Entregar o Ministério da Justiça a Sérgio Moro significa não abandoná-lo aos interesses corporativos e à visão de mundo enviesada de seus primeiros apoiadores; significa também que finalmente a segurança não prestará atenção apenas aos jovens negros da periferia, mas também para os criminosos do colarinho branco, muito mais nocivos e sempre despercebidos pela sociedade; significa responder à suspeita de que seu governo não respeitará os Direitos Humanos.

Se Moro, tendo passado a vida na magistratura, está pronto para o cargo? Ninguém está. Como todos os que deram grandes passos, precisará alçar-se no ombro de gigantes. Que posso dizer? O presidente eleito, de um único golpe, tranquilizou todos os meus temores e ouviu o que Deus disse a Moisés: que cada espião que escolheres seja um príncipe entre sua tribo (Números, 13:2).

*É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV

 

{{ndFunctionFirstNotNull(post.original_author.attributes_map.descricao_de_colunista.value,post.original_author.biography)}}

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Ação contra furto de energia
De barbearia a propriedade rural: operação flagra furtos de energia no Sul do ES
Imagem de destaque
Nunes Marques manda Meta entregar relatório sobre 'Exército do Lula' em até 24h
Idoso de 80 anos com alzheimer desaparece em Barra de São Francisco
Idoso de 80 anos com Alzheimer desaparece em Barra de São Francisco

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.