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Pode cortar comprimido ao meio? Entenda quando a prática pode trazer riscos

Farmacêutico alerta que dividir medicamentos sem orientação pode alterar o efeito do tratamento

Publicado em 19 de Junho de 2026 às 16:15

Portal Edicase

Publicado em 

19 jun 2026 às 16:15
Cortar comprimido pode comprometer a eficácia do tratamento e até provocar riscos à saúde (Imagem: snezhana k | Shutterstock)
Cortar comprimido pode comprometer a eficácia do tratamento e até provocar riscos à saúde Crédito: Imagem: snezhana k | Shutterstock
Cortar comprimidos ao meio é uma prática comum entre pessoas que desejam facilitar a ingestão, ajustar doses ou economizar medicamentos. No entanto, nem todos os remédios podem ser divididos com segurança, e o hábito pode comprometer a eficácia do tratamento e até provocar riscos à saúde.
Alguns medicamentos possuem revestimentos especiais, mecanismos de liberação controlada ou distribuição específica dos princípios ativos, características que podem ser alteradas quando o comprimido é partido inadequadamente.
De acordo com Ivan Olisan, docente do curso de Farmácia da Unopar, a divisão só deve acontecer com orientação profissional. “Existem comprimidos desenvolvidos para liberar o medicamento de forma gradual no organismo. Quando eles são cortados, essa liberação pode ser comprometida, aumentando o risco de efeitos adversos ou reduzindo a eficácia do tratamento”, explica.
Segundo o especialista, medicamentos sem sulco, que é a marcação feita no comprimido para facilitar a divisão, exigem atenção ainda maior, já que o corte pode resultar em doses desiguais. Por conta disso, dúvidas sobre medicamentos devem sempre ser esclarecidas com profissionais de saúde. “Mesmo hábitos considerados simples podem interferir diretamente no tratamento. A orientação correta ajuda a garantir mais segurança e eficácia no uso dos medicamentos”, diz.
A seguir, o docente explica quais comprimidos exigem mais atenção antes de serem divididos. Confira!

1. Comprimidos de liberação prolongada

Esses medicamentos são produzidos para liberar o princípio ativo aos poucos no organismo ao longo do dia. Quando o comprimido é cortado, esse mecanismo pode ser alterado, provocando absorção rápida da substância e aumentando o risco de reações adversas.

2. Comprimidos revestidos

O revestimento não existe apenas para facilitar a ingestão. Em muitos casos, ele protege o estômago, reduz irritações ou evita que o medicamento seja degradado antes de chegar ao intestino. Ao partir o comprimido, essa proteção pode ser perdida.
Partir o comprimido pode fazer com que uma das metades tenha menos medicamento (Imagem: MaskaRad | Shutterstock)
Partir o comprimido pode fazer com que uma das metades tenha menos medicamento Crédito: Imagem: MaskaRad | Shutterstock

3. Medicamentos sem sulco de divisão

Quando o comprimido não possui marcação específica para corte, existe maior chance de a divisão ficar irregular, fazendo com que uma metade tenha mais medicamento do que a outra.

4. Cápsulas e medicamentos em formatos especiais

Cápsulas, drágeas e medicamentos mastigáveis normalmente não devem ser abertos ou divididos sem orientação profissional, já que isso pode comprometer a ação do produto.

Alternativa segura para uma dose menor

Depois de partidos, os medicamentos ficam mais expostos à umidade, ao calor e ao contato com o ar , fatores que podem reduzir sua estabilidade e eficácia. De acordo com Ivan Olisa, quando há necessidade de ajuste individualizado de dose, uma alternativa mais segura do que partir comprimidos ou abrir cápsulas por conta própria é recorrer à farmácia de manipulação.
“A farmácia magistral dispõe de tecnologia, matérias-primas padronizadas e diferentes tamanhos de cápsulas que permitem o fracionamento e a personalização das doses prescritas pelo profissional de saúde, garantindo maior precisão e segurança ao tratamento”, explica.
Segundo o farmacêutico, a manipulação possibilita que a dose exata necessária para cada paciente seja preparada, evitando variações que podem ocorrer quando comprimidos são divididos manualmente. Além disso, o processo segue rigorosos controles de qualidade, desde a pesagem dos ativos até o encapsulamento, assegurando uniformidade e estabilidade da formulação.
“Em muitos casos, quando o paciente apresenta dificuldade para engolir comprimidos, necessita de doses intermediárias ou precisa de uma adequação específica da prescrição , a farmácia magistral pode oferecer soluções individualizadas, respeitando as características farmacotécnicas de cada substância e contribuindo para uma melhor adesão ao tratamento”, destaca. 
O especialista reforça, porém, que qualquer alteração na forma de uso do medicamento deve ser realizada somente com orientação de um médico ou farmacêutico. “Nem todos os medicamentos podem ser fracionados ou manipulados da mesma maneira. Por isso, a avaliação técnica é fundamental para garantir que a eficácia e a segurança do tratamento sejam preservadas”, conclui.
Por Letícia Zuim Gonzalez

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