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Em casa

Mel com limão cura a gripe? Veja os mitos e verdades sobre remédios caseiros

Nem tudo o que tradicionalmente se acredita tem comprovação científica - e, em alguns casos, o consumo pode trazer riscos.

Publicado em 13 de Outubro de 2025 às 16:26

Redação de A Gazeta

Publicado em 

13 out 2025 às 16:26
Consumo de mel com limão
Mel com limão: a combinação pode aliviar irritação na garganta, mas não combate o vírus. Crédito: Shutterstock/ Natalya Lys

O uso de remédios caseiros faz parte da cultura brasileira e, em muitos lares, ainda é a primeira alternativa diante de sintomas leves de doenças virais. Chás, gargarejos e combinações naturais são frequentemente usados com a expectativa de aliviar dor, melhorar o sono ou tratar resfriados. No entanto, nem tudo o que tradicionalmente se acredita tem comprovação científica - e, em alguns casos, o consumo pode trazer riscos.

Segundo pesquisa do Datafolha realizada em 2023 a pedido do Conselho Federal de Farmácia, 66% dos brasileiros recorrem à automedicação - muitas vezes associada ao uso de chás e práticas caseiras - antes de procurar atendimento profissional.

Para esclarecer o que funciona e o que é mito, o médico Thiago Piccirilo, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, comenta os principais exemplos e orienta sobre o uso seguro.

Maracujá dá sono?

É mito. Segundo o especialista, o efeito calmante está associado ao chá feito com as folhas do maracujá, e não à fruta consumida in natura. “Beber o suco de maracujá não provoca sonolência. O que tem leve ação sedativa é a passiflora presente nas folhas, utilizada em chás e fitoterápicos”, explica.

Chás para emagrecimento funcionam?

É mito em grande parte. Chás de hibisco, verde ou sene são populares, mas não promovem emagrecimento significativo e podem causar efeitos colaterais. “Nenhum chá causa perda de peso sozinho. O risco está no consumo exagerado e na mistura com medicamentos, o que pode afetar fígado, rins ou intestino”, esclarece.

Erva-doce e camomila ajudam a acalmar?

Verdade com ressalvas. Essas plantas podem reduzir a tensão leve e melhorar a digestão, mas o efeito é limitado. “São opções seguras quando ingeridas com moderação, mas não substituem tratamento para ansiedade ou distúrbios do sono”, destaca.

Mel com limão cura a gripe?

Mito. A combinação pode aliviar irritação na garganta, mas não combate o vírus. “Alívio de sintomas não significa tratamento. O risco está em postergar a avaliação médica diante de febre alta ou piora respiratória”, explica o médico.

Gargarejo com água morna e sal ajuda na dor de garganta?

Parcialmente verdade. A prática pode reduzir a inflamação leve, mas tem efeito limitado. “O gargarejo pode aliviar desconforto, mas não trata infecções bacterianas ou virais mais intensas”, ressalta.

Chá de boldo limpa o fígado?

Mito. O boldo auxilia a digestão, mas não “desintoxica” o organismo. “O fígado não precisa de chá para funcionar. O perigo é acreditar que ele compensa excessos ou substitui tratamento de doenças hepáticas”, ressalta.

Compressa quente sempre melhora a dor muscular?

Depende. Em casos de tensão ou rigidez, pode ajudar. Mas em inflamações agudas, pode piorar. “Antes de aplicar calor ou gelo, é importante entender a origem da dor”, complementa.

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