A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, é uma doença crônica que faz a pressão do sangue permanecer elevada nas artérias, sobrecarregando o coração e aumentando o risco de problemas cardiovasculares. Apesar de ser bastante comum, a condição ainda é cercada por mitos que podem dificultar o diagnóstico e os cuidados necessários para mantê-la sob controle.
O Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC) ressalta que a condição é uma das principais causas de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal crônica. Além disso, tem alta prevalência na população brasileira; quase 30% das pessoas com mais de 18 anos no Brasil têm diagnóstico médico de hipertensão.
“Apesar do avanço da doença no país, ainda existem muitas dúvidas que a cercam, principalmente sobre quem pode desenvolver pressão alta. É importante deixar claro que a hipertensão não é uma doença exclusiva dos idosos e tem sido cada vez mais observada em adultos mais jovens, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico regular”, alerta o Dr. Fábio Argenta, cardiologista e diretor de Relações com os Representantes Regionais do Departamento de Hipertensão Arterial da SBC.
Segundo dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2025, do Ministério da Saúde, a proporção de adultos brasileiros com diagnóstico médico de hipertensão passou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024, evidenciando o avanço da condição ao longo dos anos e seu impacto crescente na saúde pública.
A seguir, o Dr. Fábio Argenta esclarece os principais mitos e verdades sobre a pressão alta.
1. Reduzir o consumo de sal na comida é suficiente para controlar a pressão alta
Mito. Diminuir o sal é importante, mas não resolve tudo. Grande parte do sódio consumido está escondida em alimentos industrializados, como embutidos, temperos prontos, macarrão instantâneo e congelados.
“Controlar a pressão também depende de outros hábitos saudáveis para além da alimentação balanceada , como a prática regular de atividade física, sono de qualidade, aferição regular da pressão arterial e check-up médico”, completa o Dr. Fábio Argenta.
2. Estresse também eleva a pressão
Verdade. A exposição prolongada ao estresse e à sobrecarga emocional pode contribuir para o aumento da pressão arterial e favorecer o desenvolvimento da hipertensão. O tema ganhou ainda mais destaque com a atualização recente da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), que passou a exigir das empresas maior atenção aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
“Saúde mental e saúde cardiovascular caminham juntas. Ambientes com pressão constante, excesso de demandas e esgotamento emocional podem impactar diretamente a pressão arterial, especialmente em pessoas com predisposição à hipertensão”, explica o médico.
3. A hipertensão sempre apresenta sintomas
Mito. Na maioria das vezes, a pressão alta não provoca sintomas; por isso, é conhecida como uma doença silenciosa. Quando aparecem, sinais como dor de cabeça, tontura, visão embaçada ou palpitações costumam indicar que a pressão já está muito elevada. “Esperar sentir algum sintoma para medir a pressão é um erro. A única forma de identificar a hipertensão precocemente é aferindo a pressão regularmente”, orienta o cardiologista.
4. Ter familiares hipertensos aumenta o risco de desenvolver a doença
Verdade. A genética influencia o risco de hipertensão. Quem tem pais hipertensos, por exemplo, deve ficar ainda mais atento, mantendo hábitos saudáveis e realizando o acompanhamento regular da pressão arterial. “O histórico familiar não determina que a pessoa terá hipertensão, mas indica a necessidade de um cuidado maior com a prevenção e o diagnóstico precoce”, informa o diretor médico do DHA.
5. Quem está com a pressão controlada pode parar de tomar o remédio
Mito. A pressão costuma permanecer controlada justamente porque o tratamento está funcionando. Interromper a medicação sem orientação médica pode fazer a pressão voltar a subir e aumentar o risco de complicações. “A hipertensão é uma doença crônica. Qualquer mudança no tratamento deve ser feita apenas com orientação do médico”, finaliza o Dr. Fábio Argenta.
Por Gabriela Araújo