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Dia Mundial da Obesidade: entenda por que a doença precisa de mais atenção no Brasil

Veja por que soluções rápidas não resolvem o avanço da doença e a importância de enxergá-la como uma condição de saúde, não apenas estética

Publicado em 04 de Março de 2026 às 11:28

Portal Edicase

Publicado em 

04 mar 2026 às 11:28
Influenciada por fatores hormonais, genéticos, emocionais e socioeconômicos, a obesidade é uma doença crônica que precisa de acompanhamento profissional (Imagem: Studio Romantic | Shutterstock)
Influenciada por fatores hormonais, genéticos, emocionais e socioeconômicos, a obesidade é uma doença crônica que precisa de acompanhamento profissional Crédito: Imagem: Studio Romantic | Shutterstock
O Brasil enfrenta um dos maiores desafios de saúde pública do século. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade, cerca de 68% da população adulta brasileira está acima do peso. Desse total, 31% vivem com obesidade e 37% apresentam sobrepeso em níveis que já trazem impactos diretos à saúde.
Se o ritmo atual for mantido, as estimativas indicam que quase metade dos adultos brasileiros poderá ter obesidade nas próximas décadas. Para o médico Marcelo Carneiro, especialista em obesidade e sobrepeso e cirurgião bariátrico da clínica Obesicenter, o cenário exige atenção imediata.
“Não estamos falando de uma tendência futura, mas de uma realidade que já impacta a vida de milhões de pessoas.É importante reforçarque a obesidade é uma doença crônica , progressiva e multifatorial. Não se trata apenas de alimentação inadequada e sedentarismo, tampouco de questão estética. Envolve fatores hormonais, genéticos, emocionais e socioeconômicos”, afirma.

Doenças ligadas à obesidade

Dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que, desde 2006, o número de brasileiros com diabetes cresceu cerca de 135%, enquanto os casos de hipertensão aumentaram 31%. Ambas as condições estão diretamente associadas ao avanço da obesidade.
“Ela aumenta o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2, agrava quadros de hipertensão e está entre os fatores ligados a eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC (acidente vascular cerebral)”, alerta o médico.
A busca por soluções imediatas para tratar a obesidade pode mascarar o problema e comprometer resultados a longo prazo (Imagem: Alones | Shutterstock)
A busca por soluções imediatas para tratar a obesidade pode mascarar o problema e comprometer resultados a longo prazo Crédito: Imagem: Alones | Shutterstock

O risco de soluções imediatas

Segundo Marcelo Carneiro, a discussão sobre obesidade no Brasil ainda é superficial e costuma ganhar mais destaque em datas específicas, como no Dia Mundial da Obesidade. Enquanto isso, a sociedade oscila entre dois extremos: a relativização dos riscos do excesso de peso e a busca por soluções imediatas, como canetas emagrecedoras, popularizadas nas redes sociais.
“O uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento adequado pode trazer riscos à saúde. Não existe tratamento isolado ou fórmula mágica. O cuidado precisa ser individualizado, contínuo e baseado em avaliação médica”, enfatiza.

Políticas públicas e acesso ao tratamento

Para o especialista, o enfrentamento da obesidade exige consciência e políticas públicas estruturais e de longo prazo, que ampliem o acesso ao tratamento clínico e cirúrgico quando indicado, além de promover ambientes mais saudáveis desde a infância.“A obesidade não é uma falha individual. É um desafio coletivo de saúde pública. Precisamos sair do discurso e avançar para estratégias sustentáveis de prevenção e tratamento,antes que as projeções se tornem a nova normalidade”, finaliza.
Por Bruna Nascimento
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