Sentir cólica durante a menstruação é uma experiência comum para muitas mulheres. A dor pode aparecer antes ou nos primeiros dias do ciclo e, em alguns casos, ser acompanhada de cansaço, alterações intestinais e maior sensibilidade. Mas existe uma diferença importante entre uma cólica que faz parte do ciclo menstrual e uma dor que começa a interferir na rotina ou muda de padrão ao longo do tempo.
Segundo a ginecologista e obstetra Dra. Larissa Pires, não é apenas a intensidade da dor que deve ser considerada. “É importante observar o conjunto: quando a dor aparece, quanto tempo dura, se está piorando com o passar dos meses e principalmente o impacto que ela provoca na vida da mulher. Uma dor que impede atividades habituais ou que vem acompanhada de outros sintomas merece ser investigada”, explica.
A cólica menstrual mais comum, chamada dismenorreia primária, está relacionada às contrações do útero durante a menstruação. Porém, dores intensas ou que surgem acompanhadas de outros sintomas podem estar associadas a condições como endometriose, adenomiose, miomas e outras alterações ginecológicas.
A seguir, veja pontos que merecem atenção ao longo dos ciclos menstruais.
1. A dor impede a rotina?
Se a mulher precisa faltar ao trabalho, deixar de estudar, cancelar compromissos ou interromper atividades que normalmente faria por causa da cólica, vale conversar com um ginecologista. A intensidade da dor deve ser avaliada considerando também o impacto que ela causa no cotidiano.
2. A cólica está ficando cada vez mais forte?
Uma mudança no padrão habitual merece atenção. Se a mulher sempre teve cólicas leves e percebe que, ao longo dos meses ou anos, elas passaram a ser mais intensas, é importante investigar o motivo.
3. Existe dor durante ou depois da relação sexual?
Dor nas relações não deve ser encarada simplesmente como algo que a mulher precisa suportar. Dependendo das características e da localização da dor, ela pode estar relacionada a diferentes condições ginecológicas e merece avaliação individualizada.
4. A menstruação vem acompanhada de sintomas intestinais ou urinários?
Dor ou alterações intestinais e urinárias que aparecem de forma recorrente, principalmente próximas ao período menstrual, devem ser relatadas ao médico. O conjunto dos sintomas ajuda a direcionar a investigação.
5. O sangramento mudou?
Além da cólica, é importante observar se houve aumento significativo do volume menstrual, sangramentos prolongados ou mudanças importantes no padrão do ciclo. Nem toda alteração significa doença, mas mudanças persistentes devem ser avaliadas.
6. A dor não melhora e começa a limitar a qualidade de vida?
Não existe uma regra de que a mulher precisa “aguentar” uma dor menstrual intensa todos os meses. Quando a dor é recorrente e interfere no bem-estar, o ideal é buscar avaliação para entender sua causa e discutir as possibilidades de tratamento.
Cólica forte não significa automaticamente endometriose
Um ponto importante é evitar a associação automática entre cólica intensa e endometriose . Existem diferentes causas para a dor pélvica e somente uma avaliação médica, considerando a história da paciente, exame físico e, quando necessário, exames complementares, pode esclarecer o diagnóstico.
“Também precisamos tomar cuidado para não normalizar a dor e, ao mesmo tempo, não transformar toda cólica em uma doença. O mais importante é olhar para o padrão daquela mulher. O que é novo? O que mudou? O que está interferindo na vida dela? Essas informações são muito importantes durante a consulta”, destaca a Dra. Larissa Pires.
Quando procurar o ginecologista?
A recomendação é procurar avaliação quando a dor é muito intensa, está piorando, interfere nas atividades habituais, aparece fora do período menstrual ou vem acompanhada de outros sintomas, como dor nas relações, alterações intestinais ou urinárias e mudanças importantes no sangramento.
A ginecologista reforça que conhecer o próprio ciclo também é uma ferramenta de cuidado. “A mulher não precisa esperar a dor se tornar insuportável para procurar ajuda. Observar o próprio ciclo e perceber mudanças é uma forma de participar ativamente do cuidado com a saúde”, finaliza.
Por Ana Carolina Baili